Juan Carlos: Investigação continua apesar de pagas dívidas fiscais

O rei emérito não fica livre do escrutínio depois de pagar os impostos que deve ao estado espanhol.

Mesmo depois de regularizadas as dívidas fiscais ao estado espanhol, Juan Carlos, rei emérito de Espanha, continuará a ser investigado em Espanha, dizem os jornais espanhóis.

Os pagamentos de Juan Carlos com o cartão de crédito de um empresário mexicano vão continuar sob investigação, explicam os jornais, citando uma nota enviada às redações pelo Ministério Público após uma reunião com os responsáveis pelo caso. E continua apesar do rei emérito ter entregue uma declaração de rendimentos apresentada no dia 9 de dezembro. As autoridades vão avaliar "a sua espontaneidade, veracidade e completude, no âmbito de uma investigação que continuará a ser levada a cabo".

O rei emérito foi informado há algumas semanas que estava a ser investigado pelo uso de cartões de crédito que o empresário mexicano Allen Sanginés-Krause lhe doou, mas que não foi declarado à autoridade tributária de Espanha. Na quarta-feira, Juan Carlos regularizou as contas pagando ao fisco 678 393 euros - ao abrigo de um artigo do código fiscal que permite pagar dívidas antes de existir um processo por parte da Administração ou antes que se comecem diligências oficiais. É isso que se continuará a investigar, diz o El Pais. Fê-lo para impedir o processo ou espontaneamente?

Contas e património vão continuar a ser investigados, assim como a veracidade da documentação entregue pelo rei emérito que, em agosto, decidiu deixar Espanha e instalar-se em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, onde tem vários amigos.

Nos últimos dias, ao mesmo tempo que era conhecida a decisão do rei de regularizar a dívida fiscal, a imprensa espanhola escreve que o rei emérito reflete sobre o regresso a Espanha, segundo um programa de rádio da Cadena Cope conduzido pelo jornalista Carlos Herrera. Este considera que o Governo quer manter Juan Carlos longe para continuar "a desgastar Felipe VI", mas a intenção é "regressar no Natal" e passá-lo com uma das filhas. "É um reformado que pode ir onde quiser e regressar a casa quando quiser".

A intenção deverá ficar por isso mesmo uma vez conhecida a intenção de manter a investigação sobre as contas e património do pai do atual rei.

Este foi um ano em que as palavras Juan Carlos e justiça ou suspeitas andaram juntas muitas vezes, depois das declarações da ex-amante do rei, Corinna Larsen, ao ministério público suíço.

Corinna Larsen garantiu à justiça suíça que o rei emérito transferiu 64,8 milhões de euros em 2012 para a sua conta "não para se livrar do dinheiro", por ser de origem opaca, mas "por gratidão e amor", para garantir o seu futuro e o dos filhos. Na Suíça, Corinna Larsen, o gestor do rei emérito, Arturo Fasana, e o advogado Dante Canõnica são suspeitos de crime de branqueamento agravado de capitais.

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