Javier Solana há um mês no hospital. "Quem diria. Mas encontro-me bem"

Com covid-19, o antigo secretário-geral de NATO tem 77 anos e comunica pelas redes sociais., Diz, após quase um mês de internamento, que está bem. Da sua atual cama até escreve e comenta a atualidade. "Vou vencer esta batalha."

"Começo o meu dia 30 hospitalizado. Quem diria. Mas encontro-me muito bem." Foi esta a mensagem que o espanhol Javier Solana, 77 anos, colocou esta sexta-feira de manhã (3 de abril) na rede social Twitter, onde recebe centenas de comentários de incentivo, inclusive de muitos políticos e académicos. O antigo secretário-geral da NATO (1995-1999) e ex-chefe da diplomacia europeia (1999-2009) está internado com covid-19 no Hospital Ramón y Cajal, em Madrid, e já utilizou mais do que uma vez a rede social para dar conta do seu estado de saúde e até para comentar a atualidade europeia.

Publicou mesmo no final de março um texto de opinião "A nossa hora mais gloriosa" difundido através do Project Syndicate, um título que não é casual - revela o seu fascínio por Winston Churchill, "companheiro" nestes dias de internamento hospitalar. "A minha recuperação é lenta, mas as perspetivas são animadoras. Embora estar fisicamente isolado não seja agradável, o consolo é que, no século XXI, não há falta de recursos para se manter socialmente conectado. Além disso, sempre teremos o prazer dos passatempos culturais ao longo da vida, como ouvir música, ler e, sim, também escrever", escreve no arranque do texto que foi publicado pelo El Pais.

Recorrendo ao pensamento e ação do antigo primeiro-ministro inglês, governante na II Guerra Mundial, o espanhol resume este comentário de opinião sobre a pandemia e os seus efeitos no mundo desta forma: "Estamos diante de uma crise de proporções históricas que só será satisfatoriamente resolvida a partir da racionalidade, compaixão e compreensão mútua, dentro e além das nossas fronteiras."

No Twitter tem como imagem de fundo, uma fotografia sua, no hospital, com uma máscara de oxigénio. Já explicou que não houve necessidade de recorrer a terapia em unidade de cuidados intensivos.

"Estou a vencer uma batalha", declarou há dias a uma publicação espanhola, a VozPopuli, garantindo que continua a melhorar no seu estado de saúde. "Isto é lento, é preciso ter paciência e força para continuar a aguentar", disse o militante do PSOE que não tinha nenhuma patologia anterior de gravidade

Apesar de Solana falar no dia 30, a sua hospitalização data ao dia 10 de março (o que faz 24 dias) quando, durante a manhã, começou a sentir-se mal e a ter febre. Na noite do mesmo dia foi hospitalizado.

Na véspera teve o seu último ato público, ao lado de Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal. Foi num jantar organizado pela Câmara do Comércio Hispano-Portuguesa. O evento foi um ato de boas-vindas ao novo embaixador de Portugal em Espanha, João Mira Gomes, e à ministra dos negócios estrangeiros de Espanha, Arancha González, o que levou o ministro português a visitar Espanha.

Desde então Javier Solana já usou o twitter para lamentar a perda de um amigo que foi seu companheiro de quarto em determinado momento da sua vida,

E também de um funcionário do Museu do Prado, em Madrid, onde Solana também exerce funções.

Nos dias mais recentes já falou sobre a resposta europeia à crise, as alterações climáticas e de outros temas relacionados com o novo coronavírus.

Javier Solana deixou igualmente uma mensagem de esperança aos doentes com covid-19. "É preciso ser otimista e fazer tudo o que os médicos disserem. Eles sabem o que é melhor para cada um de nós ganhar."

O espanhol, físico de formação, é militante socialista, foi porta-voz de Felipe Gonzalez, antigo primeiro-ministro espanhol e também seu ministro dos Negócios Estrangeiros entre 1992 e 1995, tendo ocupado ainda vários outros cargos de destaque e é um professor universitário reputado. Atualmente é presidente do Center for Global Economy and Geopolitics e também preside ao Real Patronato do Museu do Prado. Participa em vários think-tank de economia e estratégia política global.

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