Vêm aí os russos? EUA temem interferência nas legislativas de novembro

Enquanto se acumulam as provas de que houve ações de hackers ligados à Rússia na últimas presidenciais, serviços secretos americanos parecem não ter informações sobre reais intenções de Putin para as próximas intercalares

A poucos meses das eleições legislativas intercalares, nos Estados Unidos, para o Congresso, que integra a Câmara dos Representantes e o Senado, crescem as inquietações sobre a possibilidade de interferências por parte da Rússia no ato eleitoral.

Num ambiente tenso, em que continuam a acumular-se os indícios de ingerência russa a favor de Donald Trump, nas últimas eleições presidenciais, as informações a partir de Moscovo sobre as intenções de Putin em relação às intercalares de novembro, parecem ter secado

Segundo o The New York Times, os informadores dos serviços secretos americanos em Moscovo remeteram-se ao silêncio, deixando os Estados Unidos sem pistas concretas sobre as intenções do Kremlin em relação ao próximo ato eleitoral americano, ou sobre as possíveis ações que possam vir a concretizar nesse sentido.

Os serviços secretos americanos acreditam, no entanto, que a Rússia tentará interferir nas eleições intercalares, usando as ferramentas da Internet, e que o seu principal objetivo "é subverter as instituições americanas e desacreditar a democracia", como ainda recentemente advertiu DAN Coats, o actual chefe da CIA.

Os Estados Unidos decidiram, por isso, antecipar-se. Ainda na última quinta-feira, o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, advertiu o chefe do Conselho de Segurança russo, Nikolai Patrushev, num encontro bilateral em Genebra, de que os Estados Unidos "não vão tolerar interferências em 2018", e que o país estará preparado "para todos os passos necessários para impedi-las".

Nas últimas semanas foram revelados vários casos de ataques de hackers russos a grupos políticos nos Estados Unidos, bem como descoberta de várias contas no Facebook de pretensas organizações americanas de intervenção política, afinal falsas, e com ligações à Rússia.

Esta semana, a Microsoft veio a público afirmar que um grupo de hackers com ligações ao governo russo criou domínios de internet falsos que imitavam as páginas do Hudson Institute e do International Republican Institute. dois think tanks (grupos de análise política) conservadores norte-americanos.

Outros três domínios falsos, ainda de acordo com a empresa, foram desenhados para parecerem pertencer do Senado dos Estados Unidos. Segundo a Microsoft, o objetivo era fazer crer aos internautas que estavam a aceder aos sites dessas organizações, para poderem entrar nos seus computadores e lhes roubar palavras-passe e outros dados.

Até novembro, quando se realizam as eleições intercalares, é que previsível que este clima de tensão se intensifique.

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