Será Lutero o responsável pela austeridade?

Lutero visto por três alemães 500 anos depois do início da reforma

Foi a 31 de outubro de 1517 que o monge Martinho Lutero afixou as suas 95 teses na porta da igreja de Wittemberg, revoltado com a bula das indulgências pelo Papa. Foi o início da reforma protestante na Europa.

Leia aqui o artigo "Será Lutero responsável pela austeridade?", da autoria de Nora Steen, pastora luterana, Constantin Ostermann Von Roth, dirigente da Associação São Bartolomeu dos Alemães, e Peter Hanenberg, professor de Estudos Culturais na Universidade Católica.

Leia ainda a entrevista com os três, sobre os 500 anos do nascimento do luteranismo, aqui.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?