Professor preso por pregar uma religião não tradicional: o ioga

O professor de ioga preso foi ao abrigo da nova lei antiterrorista, que baniu o ioga no país

Um professor de ioga foi preso na Rússia e acusado de praticar atividades missionárias ilegais. As autoridades de São Petersburgo afirmam que Dmitry Ugay estava a evangelizar a população, convencendo-a a adotar uma religião não tradicional, o que é ilegal ao abrigo de uma nova lei antiterrorista.

Ugay foi preso enquanto fazia um discurso sobre a filosofia do ioga num festival em São Petersburgo, em outubro. A polícia interrompeu a apresentação quando ele mostrava uma das posições do ioga e levou o homem de 44 anos para a esquadra, segundo o Guardian.

A lei que restringe as atividades de grupos religiosos não tradicionais, assim como as atividades missionárias dos mesmos, foi aprovada pelo presidente Vladimir Putin em julho do ano passado como resposta ao terrorismo. Contudo, as autoridades russas já davam sinais de verem o ioga como uma prática de "caráter oculto".

Em 2015, os autarcas da cidade russa de Nizhnevartovsk baniram o ioga na zona argumentando que a decisão servia para "travar a disseminação de novas religiões, cultos e movimentos", segundo o jornal The Moscow Time. Na altura, os dois principais estúdios de ioga da cidade foram obrigados a suspender atividades imediatamente após a decisão.

A polícia prendeu Ugay após receber uma denúncia por parte de Nail Nasibulin. À imprensa, o delator afirmou que o professor de ioga estava a "recrutar jovens para as fileiras da sua organização pseudo-hindu sob o disfarce de ser um evento cultural".

Ugay, que foi libertado no mesmo dia, passou dois meses sem saber do que era acusado. Quando descobriu, revelou à imprensa que as autoridades estão a acusá-lo de atividade missionária ilegal baseando-se no testemunho de três pessoas, duas das quais não assistiram ao discurso no festival.

As religiões tradicionais aceites pela legislação russa são o Cristianismo Ortodoxo, o Judaísmo, o Islamismo e o Budismo, mas Ugay admitiu publicamente que é hindu. O homem nega, no entanto, ter tentado convencer outras pessoas a adotarem esta religião.

Yekaterina Elbakyan, erudito religioso, teme que a nova lei sirva como instrumento para perseguir as minorias religiosas, mas principalmente as "novas fés" sem "tradição história", como contou ao The Moscow Time.

O ioga não é uma religião, mas sim uma prática de meditação que combina exercícios físicos e mentais originária da Índia. Ainda assim, os milhares de praticantes no país temem uma perseguição do estado.

Até o primeiro-ministro russo, Dmitry Medvedev, é adepto desta prática. O político afirmou em 2007 que estava a tornar-se "um mestre" do ioga.

Alexander Verkhovsky, diretor do Sova Centre, um organismo russo que vigia os abusos cometidos em nome das medidas anti-extremistas, afirma que o principal problema é a forma vaga como a lei foi escrita. "Como a lei existe tem de ser implementada. Mas não pode ser bem implementada por causa da estupidez da construção frásica", explicou Verkhovsky ao Guardian, acrescentado que o ioga não é uma religião por isso Ugay não pode ser acusado de evangelizar.

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