Donos de pastelaria acusados de discriminação por não fazer "bolo gay"

Donos da pastelarias recusaram-se a fazer um bolo com a mensagem "apoiem o casamento gay". Tribunal decidiu que foi "discriminação direta"

Os donos de uma pastelaria em Belfast, na Irlanda, foram acusados de discriminação após se terem recusado a fazer um bolo com a frase "Apoiem o casamento gay". O bolo tinha sido encomendado por Gareth Lee, ativista pelos direitos dos homossexuais e, segundo a BBC, não foi feito porque os donos da pastelaria Ashers não concordaram com a mensagem.

A pastelaria Ashers é um negócio da família McArthur, uma família cristã e os responsáveis pela empresa argumentam que a mensagem de Gareth Lee vai contra as suas crenças.

Gareth Lee levou o caso à justiça há dois anos e um tribunal em Belfast concluiu que a pastelaria discriminou o ativista e deve pagar-lhe 500 libras, cerca de 460 euros, segundo a Sky News. Esta segunda-feira, o tribunal que analisou o recurso concluiu o mesmo.

O tribunal argumentou no recurso que os pasteleiros não têm de apoiar a causa para escrever a mensagem no bolo, assim como não apoiam todas as equipas de futebol apesar de fazerem bolos para várias equipas, nem apoiam bruxas apesar de fazerem bolos de Halloween.

A pastelaria Ashers não teria problemas em escrever num bolo "Apoiem o casamento heterossexual" por isso "aceitamos que foi o uso da palavra 'gay' no contexto da mensagem que impediu que o pedido fosse realizado", continuou o júri. "Por consequência, isto foi discriminação direta", concluiu.

Se lei da igualdade quer dizer que as pessoas podem ser punidas por educadamente se recusarem a apoiar as causas de outras pessoas então a lei da igualdade tem de ser mudada

"Nós sempre dissemos que não era pelo cliente, era pela mensagem", disse Daniel McArthur, gerente da pastelaria Ashers, acrescentando que os donos da pastelaria não sabiam que Gareth Lee era gay e que continuariam a servi-lo de qualquer forma.

O gerente disse ainda, segundo a BBC, que está "extremamente desapontado" com a decisão do tribunal, que prejudica a "liberdade democrática, a liberdade religiosa e a liberdade de expressão".

"Se lei da igualdade quer dizer que as pessoas podem ser punidas por educadamente se recusarem a apoiar as causas de outras pessoas então a lei da igualdade tem de ser mudada", defendeu McArthur.

O ativista pelos direitos dos homossexuais Gareth Lee mostrou-se "aliviado" e "grato" pela decisão do tribunal.

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