O país africano onde todos querem bases militares

A marinha de guerra da República Popular da China tem agora uma base no Djibuti

Este pequeno país situado no Corno de África tem o maior número de instalações militares estrangeiras no seu território. A localização geográfica acaba por funcionar como fator de retorno financeiro.

Com o anúncio na passada semana da abertura de uma base naval da República Popular da China (RPC) no Djibuti, este alberga agora instalações militares de cinco nações: Estados Unidos, França, Arábia Saudita, Japão e China. A sua localização geográfica, entre o mar Vermelho e o golfo de Áden, no cruzamento de uma das mais importantes vias marítimas do comércio internacional e, num plano geoestratégico mais vasto, entre a Europa e a Ásia, explicam a razão desta escolha.

Em 2016, mais de vinte mil navios passaram ao largo do Djibuti assim como 10% do total dos hidrocarbonetos, sendo que 10% do tráfego naval tem o Japão como destino. Também a maior parte do comércio da RPC com a União Europeia, estimado em 870 milhões de euros por dia no ano transato, transita pelo golfo de Áden e mar Vermelho, além de mais de 60% do petróleo do Médio Oriente para a RPC. Estes dados ajudam a explicar o forte envolvimento dos dois países nas missões de patrulhamento ao largo da vizinha Somália contra os piratas - menos ativos atualmente - e o facto de as suas únicas bases militares no exterior se situarem no Djibuti.

A localização geográfica confere ao Djibuti particular relevância, situando-se numa região de conflito permanente. Além da Somália, on-de operam as milícias Al-Shabaad, ligadas à Al-Qaeda, que tem realizado ataques não só neste país como no vizinho Quénia, outro ponto de conflito é o Iémen, com a guerra civil entre os houthi, apoiados pelo Irão, e o governo do presidente Abdrabbuh Mansour Hadi, que tem como aliado a Arábia Saudita.

A presença das bases é também explicada pela estabilidade política do país que está, no entanto, de algum modo ameaçada pela pressão crescente de migrantes e refugiados provenientes dos países vizinhos e outros locais. Em 2016, estimou-se que cerca de cem mil pessoas tenham passado pelo Djibuti, onde existem três campos para refugiados, ainda que estes prefiram prosseguir viagem ou integrarem-se na economia informal do país. A guerra civil no Iémen só contribuiu para aumentar a pressão sobre o Djibuti, país pobre em recursos e onde o desemprego atinge valores acima dos 50% da população ativa. O clima quente e seco faz com que a atividade agrícola esteja longe de suprir as necessidades alimentares da população. Esta depende da assistência externa para sobreviver.

Existem ainda recursos minerais não explorados e que constituem uma das apostas a médio prazo para desenvolver a economia. Segundo o Banco Africano para o Desenvolvimento, em 2016, o setor mineiro representou menos de 3% do PIB nacional. Perante este quadro, o arrendamento de terrenos para bases acaba por constituir - com as atividades portuárias - a principal fonte de rendimentos do país.

Só Washington paga mais de 60 milhões de dólares por ano pela sua base, que é também a maior no Djibuti, e a única permanente dos EUA em África. Pelo seu lado, a RPC estaria a pagar 20 milhões de dólares. Além dos cinco países, desde 2014 que se fala na possibilidade de a Rússia ter instalações militares no Djibuti e o Irão teria sondado as autoridades djibutianas, sem sucesso.

Mas o Djibuti não é o único ponto em África que alberga bases estrangeiras, com destaque para os EUA que mantêm uma série de instalações provisórias no quadro de operações em curso. Assim, há bases no Burkina Faso, Quénia, Níger, Chade, Somália, Seychelles, Sudão do Sul, Camarões e na República Centro-Africana, República Democrática do Congo e Uganda para operações contra o Exército de Resistência do Senhor (LRA, sigla em inglês) e o seu líder, Joseph Kony. Os EUA anunciaram, em 2013, um prémio de cinco milhões de dólares pela morte ou captura de Kony.

A França tem bases no Chade, Costa do Marfim e Gabão; a Índia tem nas Seychelles e Madagáscar, os Emirados Árabes Unidos na Líbia, Somália e Eritreia, a Turquia na Somália e o Reino Unido no Quénia.

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