Kim vs. Trump: depois das trocas de insultos é hora do frente-a-frente

Líder norte-coreano foi o primeiro a chegar, rodeado de segurança, quatro horas antes do presidente norte-americano. Cimeira histórica está marcada para as 09.00 locais de terça-feira (quando em Lisboa forem 02.00)

Há menos de seis meses, o presidente norte-americano e o líder norte-coreano estavam a discutir quem é que tinha o botão nuclear mais à mão e a trocar insultos. Donald Trump chamava Kim Jong-un de "rocket man", entre outras coisas, e este respondia apelidando-o de "velho caquético". Agora, estão a menos de 24 horas do frente-a-frente, numa cimeira histórica marcada para as 09.00 de amanhã em Singapura (02.00 em Lisboa).

O líder norte-coreano foi ontem o primeiro a chegar, rodeado de segurança, naquela que é a mais longa viagem que fez desde que assumiu o poder - após a morte do pai, Kim Jong-il, em 2011. Quatro horas depois, pouco antes das 20.30 locais, já noite em Singapura, o Air Force One de Trump aterrava na Base Aérea de Paya Lebar, vindo diretamente da cimeira do G7 no Quebec. Segundo a sua assessora de imprensa, Sarah Sanders, Trump passou o voo a "encontrar-se com a equipa, a ler material e a preparar-se para as reuniões em Singapura".

De "bad dude" a "rocket man"

Os insultos de Trump a Kim não começaram só quando chegou à Casa Branca. Já em campanha, o republicano tinha dito que a Coreia do Norte era governada "por pessoas muito más", apelidado o líder norte-coreano de "maníaco" ou de "bad dude", isto é, um tipo mau. Ao mesmo tempo, não hesitava em dizer que falaria com Kim. "Não teria nenhum problema em falar com ele", disse à Reuters em maio de 2016.

Depois de chegar à presidência, e após a Coreia do Norte testar em julho de 2017 com sucesso um míssil balístico, ameaçou responder com "o fogo e a fúria". Pyongyang retaliou ameaçando a ilha de Guam, no Pacífico, onde os EUA têm uma base militar, acabando por recuar. Em setembro, Trump punha mais achas na fogueira, dizendo ter estado a falar com o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, para lhe perguntar como estava o "rocket man".

"Velho caquético"

O líder norte-coreano respondeu dias depois ao insulto de Trump: "A ação é a melhor opção para lidar com o velho caquético que, com dificuldades de audição, está a proferir apenas o que quer dizer."

O presidente norte-americano, que fará 72 anos esta quinta-feira, respondeu na rede social quando acordou, apelidando Kim de "louco". Dias depois, voltava ao ataque: "Porque é que Kim Jong-un me insulta chamando-me de "velho", se eu nunca o chamaria de "pequeno e gordo"? Bom, tento tanto ser amigo dele - talvez um dia isso aconteça!" Meses mais tarde, o rocket man passaria a "pequeno rocket man".

Entretanto, já Pyongyang anunciara ter testado um míssil com capacidade para chegar a qualquer ponto dos EUA. Em janeiro, Trump voltava ao Twitter: "O líder da Coreia do Norte disse que "o botão nuclear está na sua mesa a qualquer momento". Será que alguém deste regime empobrecido e faminto o pode por favor informar que eu também tenho um botão nuclear, mas é muito maior e mais poderoso que o dele, e o meu botão funciona!".

Diálogo

Mas enquanto se trocavam insultos, o regime norte-coreano ia mostrando sinais de abertura, com Kim a enviar a sua irmã mais nova Kim Yo Jong aos Jogos Olímpicos de Inverno (que se realizaram em fevereiro na Coreia do Sul), abrindo caminho a outros encontros que culminaram na cimeira entre os líderes dos dois países, na fronteira, em abril.

Ainda antes, no início de março, Kim mostrou abertura para falar com os EUA do destino do seu arsenal nuclear, propondo um encontro com Trump. Contra todas as expectativas, o presidente aceitou.

A cimeira esteve a ponto de não se realizar já depois de os norte-coreanos terem apelidado o vice-presidente Mike Pence de "boneco político", por declarações que fizera. No mesmo dia em que Pyongyang desmantelou um local de testes nucleares, Trump cancelava o encontro, que só seria finalmente confirmado no início do mês.

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Nuno Artur Silva

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