Guterres espera que manifestações de jovens inspirem líderes a salvar o planeta

Secretário-geral das Nações Unidas escreve artigo de opinião e diz que os estudantes são um exemplo para os líderes mundiais que se irão reunir numa cimeira da ONU em setembro

António Guterres diz que os milhares de jovens que por todo o mundo protestaram esta sexta-feira contra a falta de ação a nível de alterações climáticas e de proteção do planeta são uma inspiração e devem servir como exemplo para os líderes mundiais que estão convocados para uma cimeira mundial, em setembro, onde o secretário-geral das Nações Unidas espera que sejam medidas concretas para o problema da emergência climática. Caso contrário, diz Guterres, o futuro estará comprometido.

Foi através de um artigo de opinião publicado no jornal britânico "The Guardian" que o português defendeu que é tempo de ação, como gritaram os jovens estudantes que promoveram uma greve pelo clima. "É preciso agir agora para salvar o nosso planeta e o nosso futuro da emergência climática", resumiu António Guterres.

"Estes alunos aprenderam algo que parece escapar a muitos dos mais velhos: estamos numa corrida pelas nossas vidas e estamos a perder. A janela de oportunidade está a fechar-se - não temos mais o luxo do tempo, e o atraso climático é quase tão perigoso quanto a negação da mudança no clima. A minha geração não conseguiu responder adequadamente ao dramático desafio da mudança climática. Isso é profundamente sentido pelos jovens. Não admira que estejam revoltados", aponta o secretário-geral da ONU, que foi convidado a escrever este texto. Os protestos de hoje por estudantes foram inspirados pela jovem sueca Greta Thunberg, 16 anos, que se converteu no rosto do movimento "Youth for Climate" pela defesa do planeta após ter iniciado uma greve e realizado protestos em frente ao Parlamento sueco.

Mais dinheiro para ação concreta

"Apesar de anos de discussão, as emissões globais estão a atingir níveis recordes. A concentração de dióxido de carbono na nossa atmosfera é a mais alta em três milhões de anos. Os últimos quatro anos foram os mais quentes registados, e as temperaturas no inverno no Ártico subiram 3-4Cº nos últimos 50 anos. Os níveis do mar estão a subir, os recifes de coral estão a morrer e estamos a começar a ver o impacto da mudança climática na saúde, que ameaça a vida, através da poluição do ar, ondas de calor e riscos à segurança alimentar", elenca o secretário-geral da ONU.

Neste contexto, Guterres enaltece o Acordo de Paris, um "visionário e viável" plano para reverter o impacto das alterações climáticas. Contudo, diz que sem ação ambiciosa o acordo não terá significado.

"É por isso que vou reunir os líderes mundiais numa cimeira de ação climática no final deste ano. Peço a todos os líderes que venham a Nova Iorque em setembro com planos concretos e realistas para aumentar as contribuições nacionais até 2020, em linha com a redução das emissões de gases de efeito estufa em 45% na próxima década, e em zero até 2050", afirma o antigo primeiro-ministro português. Esta cimeira em Nova Iorque foi anunciada no ano passado, em dezembro, por ocasião da Cimeira do Clima em Katowice, na Polónia.

Guterres diz que a cimeira "reunirá governos, setor privado, sociedade civil, autoridades locais e outras organizações internacionais para desenvolver soluções ambiciosas em seis áreas: energia renovável; reduções de emissões; infraestruturas sustentáveis; agricultura e gestão sustentáveis de florestas e oceanos; resistência aos impactos climáticos; e investimento na economia verde".

O secretário-geral da ONU adianta que se for desenvolvida uma estratégia no terreno já, será possível reduzir as emissões de carbono em 12 anos e limitar a subida da temperatura global a 1.5 Cº. "Mas se continuarmos no atual estado, as consequências serão imprevisíveis", alerta.

A finalizar o texto de opinião publicado no diário inglês, Guterres dirige-se aos jovens que marcharam esta sexta-feira pelo clima. "Muitos de vós estão ansiosos e com medo do futuro. Entendo as vossas preocupações e revolta. Mas sei que a humanidade é capaz de enormes conquistas. As vossas vozes dão-me esperança", escreve para concluir que "juntos, podemos e devemos vencer a ameaça e criar um mundo mais limpo, mais seguro e mais verde para todos".

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