Cientistas britânicos não conseguem provar que veneno é russo

Identificaram a substância como sendo Novichok, mas não foi possível determinar a origem. Informações foram passadas ao governo britânico

A estrutura de pesquisa e investigação militar britânica encarregue de analisar o agente nervoso que envenenou o ex-espião russo Sergei Srkipal afirmou não ser capaz de confirmar que a substância, de nível militar, tenha sido produzida na Rússia.

"Fomos capazes de identificar a substância como sendo Novichok e dizer que é de nível militar. Mas não identificámos a origem. Mas já demos informação científica ao governo que usou outras fontes para juntar as peças e chegar a conclusões", afirmou Gary Aitkenhead, do Laboratório de Defesa, Ciência e Tecnologia.

A Reuters acrescenta ainda que a mesma fonte confirmou que que a substância requer "métodos sofisticados para ser criada, algo apenas ao alcance de um Estado".

"Vamos continuar a trabalhar para providenciar informação adicional que nos ajude a chegar à origem da substância, mas ainda não fomos capazes de o fazer", acrescentou Aitkenhead, que disse ainda: "O nosso trabalho é dar provas científicas do que é este agente nervoso, já o identificámos e é militar. Mas não é o nosso trabalho dizer onde foi produzido".

O envenenamento de Sergei Skripal e da filha Yulia criou um incidente diplomático entre o Reino Unido e a Rússia, que acabou por resultar na expulsão de diplomatas russos de mais de uma dezena de países. O Reino Unido alega que o envenenamento de responsabilidade russa, algo que o Kremlin tem negado veementemente.

A situação afetou mais de 130 representações diplomáticas russas no ocidente. Ocorreu também a expulsão em larga escala de diplomatas russos nos EUA, serão cerca de 60.

O envenenamento ocorreu a 4 de março, na cidade de Salisbury, tendo como alvos Sergei Skripal, de 66 anos, e Yulia, de 33.

O ex-espião continua em estado crítico, mas a filha recuperou na semana passada e está consciente e capaz de falar, segundo as autoridades.

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