Bannon diz que reunião de filho de Trump com russos foi "traição" e "anti-patriótica"

"Vão esmagar o Don Junior como um ovo, na televisão nacional", é a previsão de Bannon

Foi conselheiro e estratega de Donald Trump durante meses, o representante mais conhecido da extrema-direita na administração do novo presidente, e agora Steve Bannon vem dizer que a reunião do filho do magnata com russos na Trump Tower, durante a campanha, foi "traição" e "anti-patriótica". Bannon é citado num novo livro, a que o jornal Guardian teve acesso, com revelações que classifica como explosivas.

Foi em declarações ao autor do livro, que se intitula "Fire and Fury: Inside the Trump White House" ("Fogo e Fúria", a mesma expressão usada por Trump para ameaçar a Coreia do Norte em agosto), que Bannon falou sobre a investigação do FBI às alegações de conluio entre a campanha de Trump e autoridades russas. "Vão esmagar o Don Junior como um ovo, na televisão nacional", foi a previsão de Bannon.

Segundo o jornal britânico, o livro é baseado em mais de 200 entrevistas com o presidente e com os que lhe são mais próximos na administração. Bannon é citado extensivamente e muitas vezes com "linguagem colorida", para descrever o clima dramático e facadas nas costas dentro da Casa Branca.

Bannon, um ex-funcionário do banco de investimento Goldman Sachs que largou a banca para se tornar uma espécie de rei das teorias da conspiração no site de extrema direita Breitbart News, foi diretor executivo da campanha de Trump nos meses antes das eleições. Depois, foi escolhido como conselheiro e estratega do presidente, apesar de ser um feroz crítico do aparelho republicano e do "sistema". Acabou por ser afastado em agosto, tendo voltado ao Breitbart.

Sobre a reunião entre Donald Trump Jr., Jared Kushner e Paul Manafort com a advogada russa Natalia Veselnitskaya na Trump Tower, marcada com a promessa de documentos para incriminar Hillary Clinton, o antigo estratega é claro e critica os conselheiros: "Os três tipos mais seniores da campanha acharam boa ideia reunirem-se com um governo estrangeiro dentro da Trump Tower numa sala de conferências no 25.º andar - sem advogados. Não levaram advogados. Mesmo que achassem que não era traição, ou anti-patriótico, ou uma merda má, e eu acho que é isto tudo, deviam ter chamado o FBI imediatamente."

Bannon critica também a aparente descontração com que a Casa Branca olha para investigação do FBI, considerando que a esperança de que esta desapareça rapidamente é muito irrealista. "Estão sentados na praia a tentar impedir um [furacão] categoria 5", diz, considerando que o procurador especial Robert Mueller vai pegar pela questão da lavagem de dinheiro e apertar com toda a gente até apanhar Trump.

O autor do livro, o escritor e ensaísta Michael Wolff, diz ter tido acesso sem precedentes à administração Trump e assegura que partiu sem ideias preconcebidas.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

O populismo entre nós

O sucesso eleitoral de movimentos e líderes populistas conservadores um pouco por todo o mundo (EUA, Brasil, Filipinas, Turquia, Itália, França, Alemanha, etc.) suscita apreensão nos países que ainda não foram contagiados pelo vírus. Em Portugal vários grupúsculos e pequenos líderes tentam aproveitar o ar dos tempos, aspirando a tornar-se os Trumps, Bolsonaros ou Salvinis lusitanos. Até prova em contrário, estas imitações de baixa qualidade parecem condenadas ao fracasso. Isso não significa, porém, que o país esteja livre de populismos da mesma espécie. Os riscos, porém, vêm de outras paragens, a mais óbvia das quais já é antiga, mas perdura por boas e más razões - o populismo territorial.