Trump ameaça Coreia do Norte com "fogo e fúria como o mundo nunca viu"

Pyongyang miniaturiza ogivas nucleares. Estas podem equipar mísseis com capacidade para atingir território americano

"É bom que a Coreia do Norte não faça mais ameaças aos EUA. Eles enfrentarão fogo e fúria como o mundo nunca viu", afirmou esta terça-feira o presidente, Donald Trump, após saber-se que Pyongyang conseguiu produzir ogivas nucleares com as dimensões adequadas para colocação em mísseis balísticos intercontinentais, segundo um relatório da Agência de Informações da Defesa (DIA, na sigla em inglês) a que teve acesso o The Washington Post.

O documento tem a data de 28 de julho último, precisamente o dia do mais recente disparo de um míssil balístico intercontinental do regime de Pyongyang que, de acordo com especialistas, tem agora capacidade de atingir território dos Estados Unidos com este tipo de armas. O The Washington Post notava que, no início da semana, o Ministério da Defesa japonês divulgara um documento em que se concluía no mesmo sentido

Segundo um especialista sul-coreano em questões de defesa, Kim Dong-yub, citado no final de julho no The New York Times, "não há dúvidas de que a Coreia do Norte tem agora mísseis com capacidade para alcançarem a maior parte do território" dos EUA. O mesmo analista especificou que, "dependendo do peso da ogiva", estes mísseis têm um alcance de nove mil a dez mil quilómetros, o que "coloca toda a costa ocidental dos EUA no seu raio de ação".

Após o lançamento, a 4 de julho, do primeiro míssil balístico intercontinental com capacidade de atingir território dos EUA, a agência de notícias de Pyongyang, a KCNA, divulgou declarações atribuídas ao líder do regime, Kim Jong-un, com este a declarar que o lançamento constituía "um sério aviso" aos EUA e que a Coreia do Norte estava agora em condições "de lançar um míssil balístico intercontinental a qualquer momento e a partir de qualquer lugar".

"Todas as medidas"

A operacionalidade deste tipo de mísseis e a miniaturização de ogivas nucleares representam duas etapas que sucessivos presidentes dos EUA, o mais recente dos quais Donald Trump, têm dito ser inaceitável. Após o segundo disparo de julho, a Casa Branca divulgou uma nota, assinada pelo presidente, em que garante estarem os EUA prontos "a tomarem todas as medidas para garantirem a segurança do território americano e proteger os nossos aliados na região".

As conclusões do relatório sugerem que a vertente militar do programa nuclear norte-coreano está a avançar mais rapidamente do que tem sido pressuposto pela maioria dos analistas.

Um documento separado da DIA, divulgado em julho, indicava que os arsenais norte-coreanos contêm agora, pelo menos, 60 ogivas. Ouvido pelo The Washington Post, uma autoridade em questões nucleares e último cientista dos EUA a inspecionar instalações norte-coreanas, Siegfried Hecker, duvidava daquele número, referindo antes um valor entre as 20 a 25 ogivas. Hecker, que esteve sete vezes na Coreia do Norte entre 2004 e 2010, garante que o regime está a seguir um caminho lógico e que o seu líder está longe de ser "louco ou suicida", ou até "imprevisível", como por vezes é descrito.

Desde a chegada ao poder de Kim Jong-un, em finais de 2011 após a morte do pai, Kim Jong-il, a Coreia do Norte tem intensificado o desenvolvimento do programa nuclear e do programa de mísseis. Dos seis testes nucleares de Pyongyang, três decorreram já sob a liderança de Kim Jong-un. E só este ano, foram efetuados 12 lançamentos de mísseis, alguns deles com disparos múltiplos.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?