Holanda teve "responsabilidade limitada" no massacre de Srebrenica

Supremo Tribunal holandês considerou que eles deviam ter ficado refugiados em vez de terem sido retirados.

O Supremo Tribunal holandês considerou esta sexta-feira que o Estado holandês tem uma "responsabilidade limitada" pela morte de quase 350 muçulmanos bósnios durante o massacre de Srebrenica. Mortes essas que ocorreram na área protegida pelos capacetes azuis holandeses ao serviço da ONU em julho de 1995.

Segundo o tribunal, as forças sérvias-bósnias "provavelmente" descobriram que havia homens muçulmanos refugiados na base dos holandeses porque tinham "todos os meios para procurá-los e prendê-los", mas as forças holandesas deveriam ter oferecido a opção de refúgio naquela base em vez de evacuação.

Por isso, a responsabilidade limitada da Holanda pode ser calculada em 10%, já que os 350 homens só tinham a mesma probabilidade percentual de escapar da morte porque as forças sérvias da Bósnia os iriam encontrar na mesma.

O massacre de Srebrenica, tragédia em que pelo menos 8372 muçulmano-bósnios foram cruelmente mortos em 1995, é descrita como a maior tragédia humana na Europa após a Segunda Guerra Mundial.

O que está em causa

Um batalhão holandês (o "Dutchbat"), que fazia parte da força das Nações Unidas (UNPROFOR) e foi enviado entre fevereiro de 1994 e novembro de 1995 para operações de manutenção da paz na ex-Jugoslávia, tinha a missão de proteger o enclave muçulmano e criar uma "zona de segurança" da ONU em Srebrenica.

Só que entre 11 e 25 de julho de 1995, as forças sérvias lideradas pelo general sérvio bósnio Ratko Mladic tomaram o controlo a cidade, enquanto o Dutchbat contava com pouco mais de quatro centenas de soldados mal equipados e mal preparados. As tropas holandesas ainda pediram apoio aéreo de dois F-16, mas esse teve de ser cancelado quando os sérvios bósnios ameaçaram executar 50 soldados holandeses que entretanto tinham capturado.

Mladic tomou então conta da cidade e as tropas holandesas tiveram de negociar com as tropas dos sérvios, numa negociação que foi mais uma rendição. Em 2017 foi condenado a prisão perpétua por genocídio e crimes contra a Humanidade.

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