Fogo posto mata nove alunas em escola de Nairobi

Governo queniano diz que incêndio teve mão criminosa

O governo do Quénia afirmou esta sexta-feira que o incêndio num internato em Nairobi, que matou nove alunas, foi fogo posto. O incêndio começou na madrugada de sábado nos dormitórios da Moi Girls School, na capital do Quénia.

"Não foi um acidente, foi fogo posto", disse o ministro da Educação Fred Matiang'i, citado pela Reuters. O ministro realçou que têm acontecido incêndios do mesmo género em outras escolas. Só no ano passado foram incendiadas mais de 120 escolas no Quénia.

Sete das alunas morreram no local e outras duas morreram no hospital devido aos ferimentos. Há ainda pelo menos dez feridos.

Fred Matiang'i diz que os incêndios estão muitas vezes ligados a conflitos na gestão das escolas, com os funcionários a quererem funções na direção. O ministro criticou a "politização da gestão das escolas e das responsabilidades no setor da educação".

"Não está correto. Não podemos resolver um conflito na direção da escola queimando a escola", continuou Matiang'i.

Por outro lado, um estudo realizado no ano passado por Elizabeth Cooper, professora assistente de Estudos Internacionais da Universidade Simon Fraser, no Canadá, concluiu que muitas das vezes quem começa os incêndios nas escolas do Quénia são os alunos.

"A vida nos internatos é demasiado rígida e autoritária para os alunos", escreveu a investigadora em 2016. Os alunos que Cooper entrevistou queixavam-se da pouca comida, da falta de materiais escolares e dos professores. Muitos comparavam a escola a uma prisão e acreditavam que se esta fosse destruída poderiam voltar para casa.

"A destruição dos dormitórios significa que eles serão enviados para casa e poderão afastar-se da vida no internato", continuou. "Provavelmente teremos mais incêndios no próximo ano", acrescentou a investigadora.

Segundo a Reuters, a Cruz Vermelha do Quénia disse no Twitter que esta segunda-feira ocorreram incêndios em três escolas diferentes. Não há registo de feridos.

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