EUA acusam Putin de ser "imagem viva da corrupção"

Líder russo seria mais rico do que Bill Gates, mas rendimento conhecido fica abaixo do declarado por colaboradores próximos.

Um alto responsável da Administração dos Estados Unidos acusou o presidente russo de "ter enriquecido os amigos, os aliados e de ter marginalizado aqueles que considera como adversários, recorrendo a fundos públicos (...) [Vladimir] Putin canaliza-os para aqueles que servem os seus interesses e exclui os que não o fazem. Isto é a imagem viva da corrupção".

Esta declaração foi proferida pelo secretário do Tesouro interino dos Estados Unidos, Adam Szubin, no programa Panorama da BBC News, transmitido segunda-feira à noite. Szubin é responsável pelas áreas das sanções e análise de informações sobre atividades financeiras ilegais e as suas palavras constituem uma das mais fortes, se não a mais forte, declaração de um responsável dos EUA em exercício de funções sobre a "fortuna secreta" de Putin. E Szubin fez questão em insistir na ideia de que as autoridades norte-americanas estão ao corrente dos factos "há muitos anos".

Putin "recebe, supostamente, um vencimento de 101 mil euros por ano", disse o governante dos EUA, mas "isto não corresponde à sua verdadeira fortuna, e ele sabe (...) como mascarar a sua real riqueza", disse Szubin. Em fevereiro de 2015, um gestor de fundos financeiros na Rússia, Bill Browder, declarava à CNN que a fortuna de Putin "será na ordem dos 200 mil milhões de dólares [184 mil milhões de euros], o dobro da de Bill Gates".

Um porta-voz do Kremlin considerou as acusações como "pura ficção", indicando que são públicos os rendimentos do presidente. Segundo a declaração oficial de Putin, este recebeu o equivalente a 75 mil euros (ou 3,7 milhões de rublos) em 2014, é proprietário de três automóveis de marca russa, tem um apartamento de 77 metros quadrados, com garagem, e uma pequena propriedade rústica. O programa da BBC nota que a declaração de Putin chega a parecer ridícula comparada com a de outros altos detentores de cargos públicos, como colaboradores do presidente no Kremlin e ministros que declaram possuir carros de luxo, barcos desportivos e residências no estrangeiro.

Segundo um antigo responsável da companhia estatal de navegação russa, Dmitry Skarga, Roman Abramovich, oligarca proprietário do Chelsea, ofereceu um iate, avaliado em 46 milhões de euros, ao presidente russo. Recompensa por oportunidades de negócios conferidas a Abramovich.

O líder russo, que no passado se referiu a semelhantes acusações como "lixo", abordou ontem o tema da corrupção, considerando que esta deve ser combatida na base e no topo do poder. Mas, num encontro com apoiantes partidários, Putin preferiu abordar a questão da exequibilidade do socialismo e comunismo, afirmando que "continuo a gostar das ideias comunistas e socialistas", apesar de a sua concretização na Rússia ter estado "longe do que expunham os socialistas utópicos". Por isso, não se desfez do cartão do partido. "Não o queimei."