Bruxelas só adia Brexit se houver acordo entre May e Corbyn

União Europeia está disponível para prorrogar prazo do Brexit mas quer garantias de que se mantêm os laços comerciais com o Reino Unido. May tem até 21 de janeiro para apresentar ao parlamento um novo plano de saída da UE

A União Europeia continua disponível para estender os prazos se o Reino Unido precisar de mais tempo para concluir o processo de saída, mas exige um consenso político entre o governo conservador e a oposição trabalhista, que garanta a concretização do Brexit nas condições acordadas. Esta posição foi tomada numa reunião de crise na quarta-feira, na qual participaram os secretários-gerais da Comissão Europeia e o do Conselho Europeu e os embaixadores dos 27 países da UE em Bruxelas.

"Precisamos de um acordo transversal em Londres entre os partidos do Parlamento e que o governo de May modifique as suas linhas vermelhas de negociação", afirmam fontes diplomáticas em Bruxelas ao El Pais. O objetivo seria que Londres concordasse em permanecer em união aduaneira com a Europa, um modelo semelhante ao da Turquia, o que impediria o surgimento de uma fronteira entre a Irlanda do Norte (território britânico) e a República da Irlanda (membro da UE). Sem essas condições, dizem as mesmas fontes, será quase impossível evitar o descarrilamento do Brexit.

Também o negociador-chefe da UE para o Brexit, Michel Barnier, abriu a porta a negociações, numa intervenção que fez nesta quarta-feira no Parlamento Europeu em Estrasburgo. "Se o Reino Unido escolher fazer evoluir as suas próprias linhas vermelhas e fizer a escolha vantajosa de ambicionar ir além de um simples acordo comercial, a União Europeia estará imediatamente pronta para acompanhar esta evolução e a responder favoravelmente", disse o francês, sem deixar porém de avisar que a saída desordenada é agora uma probabilidade mais alta do que nunca.

Fontes comunitárias asseguram que o clube europeu continua unido, dando como exemplo a reação das 27 capitais após a esmagadora rejeição do Parlamento Britânico ao acordo Brexit apresentado em maio. O endurecimento da posição europeia é atribuído, precisamente, à força da derrota de maio (432 votos contra e 202 a favor). "Com uma diferença de 30 votos, May poderia ter voltado a Bruxelas para pedir novas concessões ou garantias, mas a rejeição foi tão forte que pôs fim às negociações", disse um diplomata europeu. "Nenhuma mudança no acordo de saída será suficiente para mudar o sentido de mais de 200 votos", explica uma fonte europeia ao El Pais. "Não podemos salvar May. Tem que se salvar a ela própria."

A primeira-ministra parece já ter entendido a mensagem e começou a procurar apoio para além do seu grupo parlamentar. Agora, tem até 21 de janeiro para apresentar ao parlamento um novo plano de saída da UE.

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