Boris Johnson diz que a dexametasona é o "maior avanço" para combater o vírus

Investigadores britânicos anunciaram esta terça-feira que o tratamento com o medicamento dexametasona reduz em 35% a mortalidade entre os pacientes mais graves de covid-19.

Boris Johnson congratulou-se esta terça-feira com o que descreve como "o maior avanço até agora" na procura de um tratamento eficaz para o coronavírus, referindo-se aos resultados de um teste de investigadores britânicos com dexametasona.

O primeiro-ministro do Reino Unido disse estar muito orgulhoso da equipa que "liderou o primeiro teste clínico robusto em todo o mundo para encontrar um tratamento para o coronavírus que está comprovado que reduz o risco de morte".

Peter Horby, da Universidade de Oxford, que liderou esta investigação, disse que os resultados do estudo foram notáveis. "Em pacientes ventilados com covid-19, o medicamento dexametasona - administrado durante dez dias de tratamento com comprimido ou injeção - reduz o risco de morte em cerca de 35%. Em pacientes na enfermaria que precisam de oxigénio, reduz o risco de morte em cerca de 20%, cobrindo assim cerca dos 75% dos pacientes hospitalizados", afirmou.

"Estamos a começar a ver a primeira luz ao fundo do túnel, algo que eu duvidava há umas semanas. Já vemos uma esperança de que podem existir tratamentos que podem fazer toda a diferença no elevado número de mortes, e ao mesmo tempo estamos a fazer um grande investimento em vacinas", concluiu o primeiro-ministro inglês.

Investigadores britânicos anunciaram esta terça-feira que o tratamento com o medicamento dexametasona reduz em um terço a mortalidade entre os pacientes mais graves de covid-19.

"A dexametasona é o primeiro medicamento que observamos que melhora a sobrevivência em caso de covid-19", anunciaram os autores do teste britânico Recovery consideram os resultados um "grande avanço" na luta contra o vírus.

A investigação publicada nesta terça-feira foi parcialmente financiada pelo governo britânico e liderada por uma equipa da Universidade de Oxford, que administrou o medicamento a mais de dois mil pacientes gravemente doentes com covid-19.

Entre os que só conseguiam respirar com a ajuda de um ventilador, a dexametasona reduziu as mortes em 35%. As mortes dos que receberam oxigênio reduziu em um quinto, de acordo com resultados preliminares.

Doses diárias de dexametasona podem prevenir uma em cada oito mortes de pacientes ventilados e salvar um em cada 25 pacientes que necessitam de oxigénio, dizem os investigadores.

A Grã-Bretanha começará imediatamente a dar dexametasona aos doentes com coronavírus, revelou o ministro da Saúde, Matt Hancock.

Hancock referiu ainda que a Grã-Bretanha começou a armazenar amplamente o medicamento quando o seu potencial se tornou aparente há três meses. "Como vimos os primeiros sinais do potencial da dexametasona, estamos a armazenar desde março", disse o ministro através de um comunicado em vídeo.

"Estamos a trabalhar com o Serviço Nacional de Saúde para que o tratamento padrão para a covid-19 inclua a dexametasona a partir desta tarde", anunciou ainda Hancock. Hancock agradeceu aos "brilhantes cientistas" de Oxford. "As ciências da vida do Reino Unido estão a liderar o mundo no desenvolvimento de vacinas, no desenvolvimento de tratamentos e na imunologia", afirmou.

"É um resultado extremamente bem-vindo", disse Peter Horby, professor de Doenças Infecciosas Emergentes no Departamento de Medicina de Nuffield, da Universidade de Oxford. "A dexametasona é barata na prateleira e pode ser usada imediatamente para salvar vidas em todo o mundo".

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