Apelo a Macron: o Panteão para o primeiro médico que morreu de covid-19

Um funcionário público reformado diz que o médico Jean-Jacques Razafindranazy, 68 anos, foi um exemplo de dedicação ao voluntariar-se para o combate à pandemia quando podia estar aposentado. O Panteão será um forma de homenagem ao "homem invisível".

Perpetuar um nobre sacrifício feito pelo país e, de forma simbólica, valorizar o esforço de anónimos franceses. É com esta justificação que um apelo foi lançado ao presidente da República de França para que o primeiro médico a morrer de Covid-19 no país seja colocado no Panteão. Jean-Jacques Razafindranazy, um médico de emergência que trabalhava no Hospital Universitário Compiègne (Oise), morreu a 21 de março sendo o primeiro profissional de saúde a morrer em França com o novo coronavírus. Tinha 68 anos e podia estar aposentado mas voluntariou-se para tratar doentes.

O pedido a Emmanuel Macron foi lançado por Jean-Pierre Lemoine, um alto funcionário público aposentado, que teve a ideia quando redigia um artigo sobre o Panteão, segundo relata o jornal Le Parisien. "Enquanto escrevia uma síntese sobre a necrópole nacional, tive a ideia de fazer as pessoas coincidirem com este monumento. Estamos por norma a falar de grandes homens, mas não seria hora de prestar homenagem ao invisível?"

O Panteão francês permite homenagear personagens famosos, como o resistente Jean Moulin, o Prémio Nobel da Paz René Cassin, Jean Monnet, um dos pais fundadores da Europa, os cientistas Pierre e Marie Curie, o escritor André Malraux ou a ex-ministra Simone Veil. Jean-Pierre Lemoine realça que tal "reflete os valores e aspirações" do povo francês. "A integração do doutor Jean-Jacques Razafindranazy permitiria que pessoas anónimas, que, perdendo o seu conforto e às vezes as suas vidas, participam da luta contra esta pandemia, chegassem ao Panteão de forma simbólica", explicou.

Além disso, "honraria todos os cuidadores, médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e também todos os homens e mulheres que, independentemente das suas funções, se dedicaram durante esta epidemia para o benefício de todos ", disse Jean-Pierre Lemoine.

O médico Jean-Jacques Razafindranazy era natural de Madagáscar, de onde tinha, em fevereiro, regressado de férias. Mal chegou a França, apresentou-se logo ao trabalho perante a situação que se vivia no país. Não tinha nenhum problema de saúde e sentiu os primeiros sintomas do coronavírus no início de março. Foi primeiro hospitalizado em Compiègne, onde trabalhava. No entanto, o seu estado degradou-se e o médico foi transferido para o Hospital Universitário de Lille, no norte da França, onde morreu.

A sua mulher, uma médica de família, também esteve infetada, como contou o DN em março.

Quando ocorreu a morte, o filho do casal postou uma mensagem emocionada no Facebook, descrevendo Razafindranazy como "meu pai, o herói". "Ele era apaixonado pelo seu trabalho e optou por não se aposentar. Deixou uma família para trás que nunca o esquecerá", disse o filho.

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