Acidente da EgyptAir. Polícia investiga pessoal de terra ligado ao voo

Encontrados destroços e partes de um corpo. Polícia francesa está a investigar pessoal de terra que esteve envolvido no voo

O governo francês reúne-se hoje com familiares das vítimas do voo MS804 da EgyptAir, que desapareceu dos radares por volta das 2.45 de quinta-feira. Saiu do aeroporto Charles de Gaulle (Paris) com destino ao Cairo, Egito. A bordo iam 66 pessoas, 56 passageiros e dez elementos da tripulação. O exército egípcio anunciou ter encontrado destroços do avião a 290 quilómetro da cidade de Alexandria, não muito longe do local onde se suspeita que o aparelho possa ter caído. Autoridades francesas estão a investigar e interrogar todo o pessoal de terra que esteve envolvido direta ou indiretamente com o voo. Todas as hipóteses estão em aberto e ninguém reivindicou um possível atentado.

O encontro está marcado para as 9.30. O ministro dos negócios estrangeiros francês recebe os familiares das vítimas para explicar o que foi possível apurar até ao momento. "Organizaram um encontro e convidaram familiares das vítimas - num máximo de quatro por vítima - para fazer um ponto da situação. Na reunião vai estar o cônsul português e um representante da família do português que seguia no voo", adiantou ao DN fonte do gabinete da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas.

João David Silva, 62 anos, era o único português a bordo do avião da EgyptAir. Engenheiro civil, trabalhava há 32 anos para a Mota Engil e era desde 2012 o responsável da empresa para os mercados africanos. Tinha residência em Joanesburgo, África do Sul, e em Lisboa, onde vive a família: quatro filhos (todos adultos, três de um primeiro casamento) e a mulher.

Segundo a agência AP, fonte oficial da polícia francesa adiantou que investigadores aéreos estão a questionar e a investigar todo o pessoal de terra que esteve ligado direta e indiretamente ao voo. Em causa estão pessoal que lidado com bagagens, trabalhadores da manutenção, seguranças, funcionários da zona de embarque. Ainda segundo a mesma agência, são funcionários que têm um distintivo especial a que chamam emblemas vermelhos e que lhes dá acesso a zonas restritas.

Têm validade por três anos e são dados pelas autoridades locais e não pela empresa responsável pelo aeroporto. No ano passado vários emblemas foram retirados a funcionários por causa de fenómenos de radicalização. Os passageiros e a tripulação também estão a ser investigados. O jornal inglês The Guardian refere que uma das hospedeiras de bordo terá publicado no seu Facebook uma imagem manipulada de uma hospedeira a sair do mar com uma mala depois de uma eventual queda de um avião, quatro meses depois de ter começado a trabalhar na EgyptAir. Mas a mensagem é considerada pouco credível.

França e EUA nas buscas

Até ao fecho desta edição, ainda não havia sinal das caixas negras. Confirmado estava pelo exército egípcio, que citava fontes da companhia aérea, que tinham sido encontrados vários destroços do avião, incluindo bancos, bagagem dos passageiros e partes de um corpo. O ministro da defesa grego, Panos Kammenos, anunciou que mais material foi encontrado na área. Não se sabe se são do A320.

A agência espacial europeia ESA descobriu, através do satélite Sentinel-11A, uma mancha de óleo com cerca de dois quilómetros de comprimento na zona do mar Mediterrâneo onde as autoridades procuram o avião. Não existe confirmação que pertença ao mesmo, mas todas as informações foram passadas às autoridades. A marinha francesa enviou um barco, que poderá demorar três dias a chegar ao local das buscas, disse a AP. O barco está equipado com um sonar capaz de identificar sons a grande profundidade. A zona onde se suspeita que o avião possa ter caído é bastante profunda: entre 2440 e 3050 metros. Também os Estados Unidos se juntaram às operações com aviões militares.

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