A letra "N" foi censurada na Internet . E Winnie the Pooh também

Situação aconteceu depois das várias críticas online à proposta do Partido Comunista Chinês de remover da constituição a limitação de dois mandatos do Presidente

Os internautas que têm conta no Weibo, uma das mais populares redes sociais na China, ficaram na segunda-feira sem poder utilizar a letra "n" durante mais ou menos 6 horas. O motivo? Censura. E o motivo da censura será, tudo indica, a tentativa de calar as críticas ao líder chinês Xi Jinping.

Recentemente, foi anunciado que o Partido Comunista Chinês iria propor a exclusão do limite de dois mandatos para o cargo de Presidente da constituição chinesa, de maneira a que o Presidente Xi Jinping possa ficar no poder toda a vida. A medida, no entanto, levou a que surgisse um número elevado de críticas, sobretudo online, de acordo com o Guardian. Daí que várias publicações fossem bloqueadas nos últimos dias, pelo facto de terem determinadas palavras, expressões, ou até a já referida letra "n".

Não sendo claro o porquê de a letra "n" ter sido banida durante cerca de seis horas, especula-se que poderá ser "devido ao medo do governo que 'N'= 'n mandatos no poder', quando possivelmente 'n' será maior que dois". Esta explicação é de Victor Mair, um especialista em assuntos chineses da Universidade da Pensilvânia, EUA, e tida com plausível por Charlie Smith, um dos fundadores de um site que tenta ultrapassar a censura do regime chinês.

"Duvido que os censores tenham pensado muito sobre a decisão, infelizmente. A letra 'n' foi uma vítima temporária de uma decisão precipitada", disse Charlie Smith. Acrescenta ainda que "agora, mais do que nunca na história recente, quem está em posição de ajudar os internautas chineses a expressarem as suas opiniões e a acederem de forma livre a informação deve chegar-se à frente e dar a mão".

Além da letra "n", existem muito mais expressões e palavras que foram banidas. Até títulos de livros, como 1984 e Animal Farm (O Triunfo dos Porcos, na tradução portuguesa) de George Orwell, desapareceram. "Discordo", "sem vergonha", "culto da personalidade" ou "imortalidade" também foram alvo dos censores, assim como várias expressões tradicionais chinesas que foram consideradas merecedoras de serem banidas, segundo uma lista que está a ser atualizada pelo China Digital Times.

Uma das mais curiosas proibições tem a ver com o boneco de animação Winnie the Pooh, mas a explicação é simples: o famoso urso é considerado subversivo porque tem sido, desde 2013, usado para gozar com o Presidente Xi Jinping.

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