Halland marcou os dois golos que apuraram a Noruega para os quartos de final do Mundial 2026, mas Orjan Nyland não foi menos importante ao segurar o apuramento com algumas defesas fabulosas frente ao Brasil. O guarda-redes nascido em Volda, que gosta de esquiar e jogar golfe, saiu do campo do MetLife Stadium como herói e já ponderam construir-lhe uma estátua. Mas nem sempre foi assim.Sem clube, com 35 anos de idade e apenas sete jogos feitos na época passada, a convocatória de Orjan Nyland gerou polémica e virou assunto nacional. Muitos comentadores noruegueses colocaram-lhe o selo de “elo mais fraco da Noruega”. O avançado do Atlético Madrid, Sorloth , foi um dos que saiu em sua defesa. Mas a verdade é que a certa altura, a federação da Noruega chegou a perguntar à FIFA se podia utilizar o naturalizado guardião do Bodo Glimt, Nikita Haikin, nascido em Israel e com nacionalidade russa, mas o pedido foi negado uma vez que Haikin já tinha defendido a baliza da Rússia.O jogo com o Brasil foi a dita “bofetada de luva branca” por que ele esperava. Aos 13 minutos defendeu um penálti de Bruno Guimarães, naquela que foi a primeira de várias intervenções de grande nível. No final do primeiro tempo defendeu uma bola rematada por Vinicius Jr. e na segunda parte deteve remates de Neymar, Martinelli e Rayan, e ainda evitou um autogolo de Ajer.Já perto do apito final ainda perdeu um confronto na linha dos 11 metros que até o ajudou a ficar mais mediático por causa de um bate-boca com Neymar. O brasileiro terá perguntado a Nyland para que lado queria a bola numa clara provocação, ao que o norueguês terá respondido “na trave”, enfurecendo assim o ego do camisola 10 da canarinha, que depois de marcar o penálti foi ter com o norueguês, dizendo: “Comigo, não, otário. Comigo não.” Ele sorriu e manteve a postura gélida que o caracteriza. Porque, na verdade, de otário o guarda-redes norueguês não tem nada. Orjan Nyland trabalha a parte mental com um psicólogo desportivo desde que fez a estreia pela seleção, em 2013.O pai, Jostein Nyland, também foi guarda-redes e foi a principal influência para Orjan, que até chegou a jogar andebol, modalidade que o ajudou a desenvolver reflexos e capacidade de reação como tão bem exemplificou naquele lance em que travou o remate de Neymar.Conhecido pelo bom posicionamento entre os postes e segurança nas saídas da bola, Nyland acumulou experiência entre Alemanha e Inglaterra. A carreira como profissional começa com ele a vestir o papel de herói do Hodd, clube que o formou e a quem agradeceu com a conquista da Taça da Noruega em 2012, nos penáltis. Na época a seguir seguiu para o Molde e venceu de novo a taça antes de emigrar.Em 2015 foi para a Alemanha representar o Ingolstadt e transferiu-se para o Aston Villa, em 2018, tendo perdido espaço com a chegada do argentino Emiliano Martínez. Rescindiu em 2020 e teve passagens pelo Norwich City, Bournemouth e Reading, antes de voltar à Alemanha para jogar no RB Leipzig. Em agosto de 2023 assinou pelo Sevilha, onde, na época passada, perdeu a titularidade após a chegada do grego Vlachodimos (ex-Benfica).No Mundial 2026 é um dos pilares da seleção comandada pelo técnico Stale Solbakken, tendo sido determinante na vitória sobre a Costa do Marfim (2-1), com quatro defesas. Esteve ausente na goleada sofrida frente à França (4-1) e, segundo ele, fez “a partida mais importante da carreira” frente ao Brasil. Uma exibição que o ajudará certamente a encontrar clube. “Toda a gente sabe para quem ligar quando precisarem de alguém. Acho que hoje mostrei isso”, disse Orjan Nyland, o norueguês mais velho a participar num Mundial (com 35 anos e 279 dias), que poderá ganhar uma estátua na terra Natal, Volda, se repetir a boa exibição frente a Inglaterra e a Noruega se apurar para as meias-finais do Mundial. O duelo com o goleador Harry Kane é no sábado (22h00, TVI).isaura.almeida@dn.pt .Noruega vence o Brasil e conquista vaga nos 'quartos' do Mundial.Os vikings chegaram: a Noruega assina a fotografia oficial mais original do Mundial 2026