Austrália celebrou o apuramento, o sexto seguido, para o Mundial.
Austrália celebrou o apuramento, o sexto seguido, para o Mundial.FIFA

Austrália faz estágio de um mês, integra ativistas e tem mais força do que estrelas

Socceroos não fazem sonhar como nos tempos de Viduka ou Cahill, mas em 2022 chegaram à segunda fase com solidez defensiva depois de apontarem preocupações sociais. Convocatória ainda é avaliada.
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A Austrália é presença habitual no Mundial. Tanto com a vaga histórica pela Oceania como na mudança já consolidada, disputando com os países da Ásia o apuramento. São sete presenças, seis delas consecutivas. Aquela equipa amadora de 1974 já lá vai e houve impacto imediato no regresso dos socceroos à órbita principal do futebol, já que em 2006, na Alemanha, passaram a fase de grupos.

O treinador Popovic fazia parte dessa equipa. Somou mais de 50 internacionalizações, esteve no apuramento para essa segunda ronda e navegou tranquilo no comando australiano desde 2025, garantindo o apuramento para o Mundial. Mas até recuperou de um baque inicial do antigo técnico contra Bahrain e Indonésia, que ajudaram à saída de Graham Arnold.

Com bons resultados no campeonato australiano, Popovic tem tido uma postura democrática e aberta, convocando vários jogadores para testes, rejeitando a ideia de vedetas na comitiva. Porque a Austrália vive um verdadeiro apagão de talento. Dificilmente se encontra um jogador que possa, efetivamente, caber noutra qualquer seleção principal. E isso é dizer muito face à tradição.

Por isso mesmo inovou, chamando para um estágio em Sarasota 19 jogadores, aos quais agora juntou mais 12. O primeiro lote a ser chamado concentrou-se logo na primeira semana de maio. Só a 1 de junho divulga a lista final e quis abrir a porta aos testes e, como disse em conferência de Imprensa em maio, "à avaliação de quem aguenta um bom espírito numa fase final." Vai ter de fazer um corte de pelo menos oito jogadores.

A Austrália já não é a equipa que enchia o olho com Cahill (acima de todos, eterno número 4), Viduka ou Harry Kewell. A formação de 2022 era mais comedida e jogou à defesa depois de perder com a França por 4-1, batendo a Tunísia e a Dinamarca por 1-0 para apurar-se. Cairia frente à futura campeã Argentina, sofrendo misérias às mãos de Messi. Não envergonhou, pelo contrário. Se as vitórias frente à Indonésia, China, Japão e Arábia Saudita na qualificação têm de dar confiança, as derrotas nos particulares com Estados Unidos, Venezuela e Colômbia no final de 2025 já devem alertar.

O guarda-redes Mathew Ryan e o avançado Mathew Leckie são os mais experientes, avançam para o quarto Mundial consecutivo. Jackson Irvine, médio do St. Pauli, é, possivelmente, o maior destaque, até por ter sido voz pública, conhecida, de ativismo, reivindicando, antes do Mundial do Qatar por abusos laborais para a construção dos estádios, além de contestar a criminalização sexual e de género em países árabes. Na altura, a Austrália ganhou protagonismo antes da entrada nos relvados, mas a prestação positiva até fez com que não fossem só as manifestações a ficarem recordadas. "Fomos fazer o que tínhamos a fazer, mas não esquecemos as causas sociais", disse Irvine, que já teve as principais associações de futebol australianas a comentar a falta de condições no trabalho imigrante nos Estados Unidos da América. Portanto, promete repetir-se a posição pública.

Entre os possíveis destaques individuais, Craig Goodwin, extremo, milita no Adelaide United, Riley McGree no Middlesbrough, também nos corredores. Cameron Burgess é forte na defesa, alinhando pelo Swansea, enquanto Souttar, também no setor recuado, está no Leicester.

O arranque no Grupo D acontece com a Turquia, a 14 de junho, seguindo-se o anfitrião Estados Unidos da América e o Paraguai.

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