A Argentina apresenta-se no Campeonato do Mundo de 2026 com um peso raro no futebol internacional: o de campeã mundial em título. Depois da conquista no Qatar, em 2022, a seleção orientada por Lionel Scaloni regressa ao maior palco do futebol determinada a defender um estatuto conquistado após décadas de espera, procurando tornar-se a primeira seleção desde o Brasil de 1962 a revalidar um título mundial. A albiceleste integra o Grupo J, onde vai medir forças com Argélia, Áustria e Jordânia, estreando-se frente aos argelinos a 16 de junho, em Kansas City, seguindo-se os encontros com a Áustria, a 22 de junho, e com a Jordânia, a 27 de junho, ambos em Dallas. A composição do grupo e o calendário oficial da prova estão confirmados pela FIFA.A grande figura da Argentina continua a ser Lionel Messi. Aos 38 anos, o capitão mantém-se como o rosto maior da seleção e deverá disputar aquele que poderá ser o seu último Campeonato do Mundo. Apesar de recentes preocupações físicas surgidas após um problema muscular num encontro do Inter Miami, o avançado integra a pré-lista de Lionel Scaloni e continua a ser visto como peça central da ambição argentina. Ainda assim, a equipa já não vive exclusivamente da genialidade do camisola 10. A profundidade do plantel e a maturidade competitiva tornaram-se marcas evidentes da atual geração argentina.No plano desportivo, a Argentina mantém uma espinha dorsal sólida, construída a partir de jogadores que cresceram competitivamente desde o triunfo no Qatar. Emiliano Martínez continua a afirmar-se como um dos guarda-redes mais influentes do futebol internacional, enquanto Cristian Romero oferece liderança ao setor defensivo. No meio-campo, Enzo Fernández e Alexis Mac Allister acrescentam critério, intensidade e qualidade técnica, ao passo que na frente Lautaro Martínez e Julián Álvarez surgem como referências ofensivas de uma equipa capaz de alternar entre controlo de jogo, intensidade física e transições rápidas.Entre os nomes mais relevantes da seleção argentina existe também uma forte ligação ao futebol português. O principal destaque vai para Nicolás Otamendi, ex-capitão do Benfica e uma das vozes de liderança do balneário albiceleste. Aos 38 anos, o defesa-central continua a ser um elemento valorizado por Lionel Scaloni pela experiência, agressividade competitiva e capacidade de organização defensiva. Campeão do mundo em 2022, Otamendi deverá voltar a ter um papel importante no torneio e chega ao Mundial depois de mais uma época de protagonismo no futebol português.Além de Otamendi, existe outro nome ligado ao futebol português que tem estado no radar da seleção: Gianluca Prestianni, jovem extremo do Benfica. Ainda sem peso consolidado na equipa principal argentina, o jogador integrou recentemente convocatórias e surge entre os talentos observados para o futuro, embora a sua presença no Mundial estivesse dependente das escolhas finais de Scaloni e condicionada por questões disciplinares recentes.Historicamente, poucas seleções carregam uma herança tão pesada quanto a Argentina. O país conquistou três Campeonatos do Mundo — em 1978, 1986 e 2022 — e construiu uma identidade competitiva marcada pela qualidade técnica, intensidade emocional e enorme exigência interna. Se Diego Maradona eternizou o Mundial de 1986, Messi devolveu à Argentina uma geração vencedora ao quebrar o longo jejum de títulos mundiais, ajudando a consolidar um ciclo extremamente bem-sucedido sob orientação de Lionel Scaloni.