As famílias portugueses continuam a ter demasiado dinheiro a render abaixo da inflação. Ainda assim, são cada vez mais os investidores que investem em ETF para poupar, depois de um ano de 2025 particularmente positivo, a este respeito.Esta é a perspetiva da Deco Proteste, que se foca na defesa dos direitos dos consumidores. Ao DN e DV, Jorge Duarte, especialista da organização, explica que, em geral, o investidor português é "conservador", mas muita coisa está a mudar e traça algumas linhas que podem guiar os investidores."Portugal ainda é dos países em que o investimento em ETF tem um menor peso", aponta. Estes são fundos de índices cotados em bolsa (Exchange Traded Funds), que replicam o movimento agregado de um conjunto de empresas cotadas, reunidas mediante critérios regionais ou temáticos. O cenário é evidente se compararmos com os EUA mas, mesmo comparando com outros países europeus, a conclusão é a mesma..Em causa está "o perfil muito mais conservador", que se concretiza em "muito dinheiro em depósitos a prazo e similares, cujo rendimento é muito inferior à inflação", alerta o especialista. Ainda assim, a tendência está a mudar, com as gerações mais jovens a procurarem pôr as poupanças a render de forma mais significativa, mesmo que com valores reduzidos."Há um interesse crescente pelo investimento nos mercados de ações e sobretudo em ETFs", que são uma das formas mais baratas e eficazes para se iniciar no investimento", olhando para bolsas, ações e obrigações. Neste âmbito, os mais procurados são aqueles que replicam o mercado global (o MSCI World, por exemplo) e o S&P 500, que funciona como referência em Wall Street.."Normalmente, é por estes que os investidores começam", assinala. Na maioria dos casos, "é o mais indicado", acrescenta para a fase inicial. Para investidores que queiram diversificar a carteira, olhar a mercados "menos conhecidos" podem ser uma ajuda. É o caso da Índia, por exemplo, em que "o peso do investimento deve ser reduzido", em virtude da maior volatilidade, mas com uma perspetiva de potencial a médio e longo prazo.Como investir e o que fazer antes?Numa análise recente, a Deco aponta para riscos corridos por investidores e para a importância de diversificar a carteira.Em 2025, foi evidente que os ganhos gerais em bolsa foram substancialmente superiores àqueles que se registaram nas aplicações financeiras tradicionais, como são os casos dos depósitos à ordem e contas poupança. Assim, "cada vez mais aforradores olham para os ETF como uma alternativa para investir a longo prazo", assinala a Deco..Estes são acessíveis a qualquer investidor, com limites mínimos que começam em um euro e investir nos mesmos é simples. Pode ser feito através das bolsas de Frankfurt, Paris ou Nova Iorque, a título de exemplo. Não obstante, estes envolvem riscos, pelo que é importante evitar "decisões precipitadas", em muitos casos causadas por movimentos bruscos recentes, como é o caso em períodos de incerteza, como aquele que se vive atualmente, em virtude da guerra no Médio Oriente.A Deco recomenda "uma abordagem de longo prazo, diversificada por regiões e setores" e contrária a "concentrações excessivas". É o caso de determinados investimentos em áreas ligadas à Inteligência Artificial (IA), que valorizam de forma expressiva nos últimos meses e dependem em demasia de "um único fator de crescimento", assinala-se.Riscos associadosA organização assinala os riscos no que respeita a investimentos em ETF. Desde logo, sobressai a elevada exposição aos Estados Unidos nos principais índices globais. Isto porque pesam mais de 60% no mercado global.Por outro lado, aponta para "avaliações elevadas em alguns segmentos tecnológicos", nomeadamente em Wall Street, que deixam "pouca margem para erro". Isto numa altura em que vários analistas levantam a possibilidade de a valorização das empresas ligadas à IA constituir uma bolha, que arrisca rebentar a qualquer momento..Regista-se ainda a "maior volatilidade dos mercados emergentes", assim como o "impacto das flutuações cambiais para investidores da zona euro", acrescenta-se.Em todo o caso, associado à possibilidade de retorno está o risco de perdas significativas, que não é adequado para quaisquer perfis de investidor..Tensão no Médio Oriente abala mercados de todo o mundo. Barril disparou 21% e gás 50% desde o início da semana