The New York Times. "Milagre diário" do jornalismo

A publicação com maior número de subscritores digitais a nível mundial revela ao DN como contrabalançou o declínio de vendas da sua edição impressa. Sem despedimentos

Como combater o inevitável declínio dos jornais? Como crescer num mercado tão competitivo? Como manter o número de trabalhadores e a qualidade do jornalismo num período pouco lucrativo? O The New York Times não só foi um dos primeiros órgãos de comunicação social a encontrar respostas para estas questões, como é, até à data, o mais bem-sucedido a implementá-las. As contas do primeiro semestre de 2016 estão fechadas e os números são, como já é hábito, risonhos para a publicação norte-americana.

"Nós percebemos rapidamente a mudança de cenário nos media e apostámos na transformação da publicidade digital, no crescimento da nossa audiência online e da base de subscritores", começa por explicar ao DN a diretora de comunicação do The New York Times, Linda Zebian.

O modelo de subscrição digital do jornal, lançado em 2011, conseguiu, em agosto do ano passado, ultrapassar a marca do milhão, atingindo já atualmente os 1,424 milhões. A maior parte desse público, curiosamente, encontra-se para lá das fronteiras dos EUA. "E mais", revela Linda, "há agora mais pessoas a pagar pelos nossos conteúdos do que em qualquer outra altura dos nossos 150 anos de história. Temos mais 64% de subscritores - papel e digital combinados - do que tínhamos no pico da edição impressa, e podem ser encontrados em praticamente todos os países do mundo".

Esta tão bem-sucedida adaptação ao novo jornalismo permitiu que a publicação vencedora de 119 Pulitzer conseguisse "proteger ferozmente o número de repórteres na redação". "Empregamos hoje o mesmo número de pessoas que empregávamos em 2000 - quando os jornais eram mais rentáveis - e oferecemos-lhes tempo, recursos e oportunidades para encontrarem e partilharem as mais importantes histórias do mundo", garante a diretora de comunicação.

Claro que o aperfeiçoamento das técnicas digitais é um trabalho constante. É essa procura pela excelência que permite ao The New York Times continuar a conquistar subscritores. "Também é nossa prioridade integrar jornalistas com capacidades gráficas, de vídeo, de design, de estatística, de análise de audiências e muito mais. A nossa equipa inigualável de jornalistas está constantemente a reimaginar a forma como contamos histórias e a liderar a inovação em toda a indústria dos media", realça Zebian.

O que também distingue o jornal nova-iorquino, fundado em 1851, das restantes publicações de topo é o facto de ter conseguido manter, apesar da crise, vendas satisfatórias da sua edição impressa. "Ainda temos um significativo negócio impresso, que inclui mais de 1,1 milhões de subscritores da edição em papel, 90% dos quais também são têm subscrição digital. Esses estão ativos, em média, mais de três horas por semana no nosso website e apps, o que os coloca entre os nossos mais dedicados utilizadores digitais", sublinha a responsável.

Aliás, é precisamente por continuar a tratar o papel como um produto com potencial de crescimento que o The New York Times diz conseguir permanecer um título "vibrante, popular e rentável". "No outono", recorda Linda Zebian, "lançámos o nosso maior jornal de domingo em décadas. No ano passado, também adicionámos uma nova secção à nossa The New York Times Magazine - a Men"s Style [Moda para Homens] - e recentemente criámos um departamento na redação focado apenas na edição impressa. Isto permite-nos pedir aos nossos jornalistas para se focarem no digital, enquanto um grupo de editores se dedica a assegurar a excelência que os leitores esperam do papel."

Ambas as revistas do grupo, The New York Times Magazine e T: The New York Times Style, que saem ao domingo, chegam a mais de quatro milhões de leitores. Isto é apenas mais uma prova do "empenho" e da "excelência" que fazem parte do ADN da publicação. É aquilo a que quem lá está dentro - revela Linda Zebian - gosta de chamar "milagre diário".

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