As notícias também já têm direito a um museu

O NewsMuseum pretende recordar episódios da história de Portugal e do mundo, através da sua cobertura jornalística.

O NewsMuseum, espaço museológico dedicado às notícias e à comunicação, no centro histórico de Sintra, vai ser inaugurado no próximo dia 25 de abril, foi hoje anunciado pelo presidente da autarquia.

"Creio que é uma inovação muito grande, não só pelos meios técnicos utilizados, mas essencialmente pelos conteúdos", comentou Basílio Horta (PS), presidente da Câmara de Sintra, durante uma visita aquele novo equipamento cultural, considerando que o museu "será uma grande mais-valia" não só para a vila mas também para o país.

O futuro Museu das Notícias, dos Media e da Comunicação ocupa as antigas instalações do Museu do Brinquedo, num imóvel que o município cedeu por 20 anos a uma associação criada por Luís Paixão Martins, antigo jornalista e empresário do setor da comunicação.

"Acho que este museu tem aqui o melhor que a comunicação social tem, em todos os setores, desde a religião à política, passando pelo desporto", acrescentou Basílio Horta, durante uma pré-visita ao NewsMuseum.

Basílio Horta experimenta o iArena, uma sala que é uma espécie de iPad, com 67 metros quadrados, com um ecrã touch com uma visão a 360 graus

O equipamento terá mais de 25 módulos temáticos distribuídos pelos três andares do edifício, que pretende recordar "episódios da história de Portugal e do mundo, através da sua cobertura jornalística" e com uma "abordagem interativa, que permite ao visitante não só ver como também 'participar' nas estórias", explica uma nota do novo museu.

"Acho que o iArena, um 'lounge' que é uma espécie de iPad, com 67 metros quadrados, tem alguma evolução tecnológica da nossa parte", destacou Luís Paixão Martins, acrescentando que a sala, com um ecrã 'touch'" com uma visão a 360 graus, vai proporcionar "uma grande dose de interatividade".

O diretor do NewsMuseum, Rodrigo Moita de Deus, também apontou a sala como "a experiência mais espetacular", devido à "densidade de conteúdos" apresentados naquele espaço.

O futuro Museu das Notícias, dos Media e da Comunicação ocupa as antigas instalações do Museu do Brinquedo

A sala possui áreas temáticas dedicadas aos jornalistas que se tornaram notícia, uma estante multimédia sobre comunicação, a descrição do Bairro Alto (Lisboa), onde antes se concentraram os principais jornais nacionais, e o "altar dos 'media'" relacionado com Fátima.

Uma torre metálica com 70 monitores (A Pirâmide de Babel), no acesso aos três pisos, estará ligada aos principais canais televisivos de notícias do mundo, a par da projeção de centenas de títulos em tempo real na aplicação "último minuto" apresentando os assuntos da atualidade, com base nos 'media' nacionais e internacionais.

Além de áreas dedicadas, entre outras, à "propaganda", "géneros" jornalísticos, "bad news", "mind games" e "guerras", os visitantes poderão observar equipamentos cedidos pela agência noticiosa portuguesa Lusa e a sua congénere espanhola EFE.

Uma réplica do estúdio da Rádio Clube Português, onde foi lido o comunicado do Movimento das Forças Armadas em 25 de abril de 1974, uma galeria de homenagem perpétua aos jornalistas e um espaço de realidade virtual sobre os futuros suportes de comunicação são outras secções.

O museu possui ainda um pequeno auditório e um espaço para emissões televisivas "em direto", áreas vocacionadas para as escolas, que Rodrigo Moita de Deus resume ter o objetivo de "fazer a literacia dos 'media'" junto dos mais novos.

No final da visita, o NewsMuseum assinou um protocolo com o presidente da RTP, Gonçalo Reis, para a cedência de conteúdos da estação pública ao novo museu.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

O populismo entre nós

O sucesso eleitoral de movimentos e líderes populistas conservadores um pouco por todo o mundo (EUA, Brasil, Filipinas, Turquia, Itália, França, Alemanha, etc.) suscita apreensão nos países que ainda não foram contagiados pelo vírus. Em Portugal vários grupúsculos e pequenos líderes tentam aproveitar o ar dos tempos, aspirando a tornar-se os Trumps, Bolsonaros ou Salvinis lusitanos. Até prova em contrário, estas imitações de baixa qualidade parecem condenadas ao fracasso. Isso não significa, porém, que o país esteja livre de populismos da mesma espécie. Os riscos, porém, vêm de outras paragens, a mais óbvia das quais já é antiga, mas perdura por boas e más razões - o populismo territorial.

Premium

João Gobern

Navegar é preciso. Aventuras e Piqueniques

Uma leitura cruzada, à cata de outras realidades e acontecimentos, deixa-me diante de uma data que, confesso, chega e sobra para impressionar: na próxima semana - mais exatamente a 28 de novembro - cumpre-se meio século sobre a morte de Enid Blyton (1897-1968). Acontece que a controversa escritora inglesa, um daqueles exemplos que justifica a ideia que cabe na expressão "vícios privados, públicas virtudes", foi a minha primeira grande referência na aproximação aos livros. Com a ajuda das circunstâncias, é certo - uma doença, chata e "comprida", obrigou-me a um "repouso" de vários meses, longe da escola, dos recreios e dos amigos nos idos pré-históricos de 1966. Esse "retiro" foi mitigado em duas frentes: a chegada de um televisor para servir o agregado familiar - com direito a escalas militantes e fervorosas no Mundial de Futebol jogado em Inglaterra, mas sobretudo entregue a Eusébio e aos Magriços, e os livros dos Cinco (no original The Famous Five), nada menos do que 21, todos lidos nesse "período de convalescença", de um forma febril - o que, em concreto, nada a tinha que ver com a maleita.

Premium

Henrique Burnay

O momento Trump de Macron

Há uns bons anos atrás, durante uns dias, a quem pesquisasse, no Yahoo ou Google, já não me lembro, por "great French military victories" era sugerido se não quereria antes dizer "great French military defeats". A brincadeira de algum hacker com sentido de ironia histórica foi mais ou menos repetida há dias, só que desta vez pelo presidente dos Estados Unidos, depois de Macron ter dito a frase mais grave que podia dizer sobre a defesa europeia. Ao contrário do hacker de há uns anos, porém, nem o presidente francês nem Donald Trump parecem ter querido fazer humor ou, mais grave, percebido a História e o presente.

Premium

Ruy Castro

Um Vinicius que você não conheceu

Foi em dezembro de 1967 ou janeiro de 1968. Toquei a campainha da casa na Gávea, bairro delicioso do Rio, onde morava Vinicius de Moraes. Vinicius, você sabe: o poeta, o compositor, o letrista, o showman, o diplomata, o boémio, o apaixonado, o homem do mundo. Ia entrevistá-lo para a Manchete, revista em que eu trabalhava. Um empregado me conduziu à sala e mandou esperar. De repente, passaram por mim, vindas lá de dentro, duas estagiárias de jornal ou, talvez, estudantes de jornalismo - lindas de morrer, usando perturbadoras minissaias (era a moda na época), sobraçando livros ou um caderno de anotações, rindo muito, e foram embora. E só então Vinicius apareceu e me disse olá. Vestia a sua tradicional camisa preta, existencialista, de malha, arregaçada nos cotovelos, a calça cor de gelo, os sapatos sem meias - e cheirava a talco ou sabonete, como se tivesse acabado de sair do banho.