Trabalhadores da Lusa aprovam voto de repúdio contra a administração

Trabalhadores da Lusa aprovam voto de repúdio contra a administração

Acusam os administradores de praticar uma “sucessão de atos de má gestão e desrespeito pelas normas de independência”.
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Os trabalhadores da Lusa aprovaram na segunda-feira, 12 de outubro, em plenário, um voto de repúdio contra a Administração, a quem acusam de sucessivos atos de “má gestão e desrespeito”, e exigiram que o Governo clarifique se mantém a confiança nos administradores.

“[…] Os trabalhadores da Lusa aprovam um voto de repúdio contra o Conselho de Administração [CA] pelos atos praticados contra a Lusa e os seus trabalhadores, exigindo uma clarificação ao Governo sobre se mantém a confiança no atual CA”, lê-se na resolução do plenário, que contou com cerca de 150 pessoas, presencialmente e por meios telemáticos.

No documento, que recebeu apenas uma abstenção, os trabalhadores acusaram a Administração, composta por Joaquim Carreira, Ana Alves e Luís Ferreira Lopes, de praticar uma “sucessão de atos de má gestão e desrespeito pelas normas de independência”, que está a resultar numa instabilidade permanente.

Em causa, segundo a mesma resolução, está a denúncia hostil do Acordo de Empresa, a ausência de negociações sobre os aumentos de 2026, que fazem parte do caderno reivindicativo, a ingerência editorial na definição de novos contratos com chefes de delegações e no processo de escolha de um novo jornalista para a delegação de Bruxelas, decisão da responsabilidade da Direção de Informação.

A diretora de informação da Lusa, Luísa Meireles, anunciou, na semana passada, ter aceitado uma proposta feita pela Administração para a sua saída, depois de "ao longo do tempo" a situação se ter tornado insustentável.

Trabalhadores da Lusa aprovam voto de repúdio contra a administração
Luísa Meireles deixa direção de informação da agência Lusa

Luísa Meireles, que terminou as suas funções como diretora na segunda-feira, considerou ter assistido a um “despedimento em direto”, quando, no parlamento, o presidente do CA, Joaquim Carreira, disse que esta "atingirá o limite legal para estar nestas funções”, além de ter relatado uma “possível situação de conflito de interesses em relação a ser presidente da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista (CCPJ)”.

Os diretores adjuntos, Maria de Deus Rodrigues e Nuno Simas, assumem, a pedido do CA e a título interino, a continuidade da direção editorial até ao final do mês.

Na resolução do plenário, os trabalhadores da Lusa apontam que as “repetidas tentativas de interferência na esfera editorial representam um cruzamento de uma fronteira inegociável e levantam fundadas preocupações de que uma próxima Direção de Informação, que será nomeada pelo atual Conselho de Administração, seja permeável a interferências”.

Por outro lado, lamentam a contínua desvalorização pela Administração pelas reivindicações deliberadas em plenário e alertaram para a fragilização institucional na agência, após o CA ter desvalorizado, também no parlamento, a deliberação da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), que identificou irregularidades nos estatutos da Lusa.

Os estatutos da Lusa vão ser apreciados, esta terça-feira, na Assembleia da República. Os trabalhadores da agência de notícias apelaram, neste sentido, aos partidos políticos para que aprovem uma revisão coerente.

“É urgente repor a legalidade de que os atuais estatutos carecem e garantir que os futuros respeitam o direito nacional e europeu em matéria de liberdade de informação e de preservação dos direitos dos jornalistas”, vincaram.

Os trabalhadores exigem ainda saber qual é o plano estratégico para a empresa, para além de estranharem não terem sido auscultados no processo.

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