Ginásio do Alto do Pina está à beira do despejo mas recusa solução da CML

Clube está prestes a ser obrigado mudar pela segunda vez de sede nos seus 111 anos de história, ambas no espaço de quatro anos. Câmara de Lisboa deu como solução provisória irem para bairro Portugal Novo.

ARua Barão de Sabrosa é a casa do Ginásio do Alto do Pina desde a sua fundação a 11 de novembro de 1911. Primeiro num espaço entre os números 93 e 97 e nos últimos quatro anos no 31C. Mas esta ligação poderá estar com os dias contados: a coletividade devia ter entregue a chave ao atual senhorio no dia 15 de julho e pode ser despejada a qualquer momento. A Câmara de Lisboa ofereceu à coletividade a opção de irem para umas instalações no bairro Portugal Novo, junto à Rotunda das Olaias. Proposta recusada pela direção do Ginásio por motivos que vão desde o facto de este ser noutra freguesia, o que pode colocar em risco a participação nas Marchas Populares, e ser um bairro conhecido pela existência de tráfico de droga e violência. Segundo Marco Campos, presidente do Ginásio do Alto do Pina, o que o clube quer é ir para o terreno dos antigos lavadouros do Alto do Pina que lhes foi cedido há décadas pela autarquia e que se encontra ao abandono.

"Tivemos que sair da sede antiga por causa da Lei do Arrendamento e a vereadora Paula Marques [com o pelouro da Habitação no mandato de Fernando Medina] enterrou-nos nesta sede onde estamos agora, que também é na Barão de Sabrosa, mas tem uma renda muito elevada. Falámos com ela na altura e ela disse que não havia problema, para nós fazermos um contrato pequeno, de dois a três anos, porque no tal terreno iria surgir a nova sede. E disse que a câmara apoiava a nossa renda, o que nunca aconteceu", recorda ao DN Marco Campos, revelando que a renda era de 750 euros. "Aceitámos a proposta, passámos para esta sede onde estamos agora, e já passou o prazo do contrato, que era de três anos. O contrato fez quatro anos a 1 de agosto, já devíamos ter saído".

Depois das promessas não cumpridas pelo Executivo de Fernando Medina, a chegada de Carlos Moedas à Câmara de Lisboa trouxe uma nova esperança ao Ginásio do Alto do Pina. Mas estas expectativas saíram goradas. "Há meses que me andam a dizer que me vão dar um subsídio para outra loja e que nos iam dar duas lojas municipais noutro bairro para fazer as atividades lá, mas que a sede do clube ficava aqui na Barão de Sabrosa e que iam subsidiar a renda enquanto os antigos lavadouros, que é o tal terreno, iam ser preparado para construir a nova sede", conta o líder da coletividade que organiza a Marcha do Alto do Pina, lembrando que Carlos Moedas, quando visitou um dos ensaios da marcha, prometeu que iria resolver o problema da sede o mais rapidamente possível. "Agora, qual é o meu espanto, mesmo em cima da hora, connosco mesmo a ter de sair, faço pressão junto da câmara e começam a dizer-me que o máximo que podiam fazer era dar-me uma loja municipal para o clube e que tinha de ser no bairro Portugal Novo".​​​​

Esta loja já não seria ao lado da esquadra da PSP, como inicialmente teria sido prometido, mas mesmo no interior do Portugal Novo, um bairro que o próprio Carlos Moedas já reconheceu, numa reunião pública descentralizada da câmara em maio, que "é um problema que é grave e que é conhecido".

Não se importam de ficar em contentores

Com a ordem de despejo a poder chegar a qualquer momento, Marco Campos garante que a mudança para o bairro Portugal Novo não é uma hipótese. Mas diz que não se importavam de ir provisoriamente para o terreno localizado na Rua Luís Monteiro, 20A, onde ficavam os antigos lavadouros do Alto do Pina, mesmo ao lado do Jardim Bulhão Pato, mais conhecido por Jardim da Nêspera. E cuja cedência do espaço deste lote municipal para o exercício da atividade social do Ginásio do Alto do Pina foi aprovada numa deliberação da Assembleia Municipal de Lisboa em 2004. "Eu já tinha proposto várias vezes e voltei a propor este ano. Limpem o terreno e metam lá o clube com uns contentores e nós fazemos ali a sede. Quando for para construir, saímos provisoriamente, mas pelo menos não estamos aqui a metermo-nos em lojas cuja renda é uma exorbitância que o clube não pode suportar", propõe Marco Campos, lembrando que esta foi a solução usada em clubes como o Alta de Lisboa e o Águias da Musgueira, que nesta altura já estão nas suas sedes definitivas

Questionada pelo DN, a Câmara de Lisboa garantiu que "tem estado empenhada desde do início do processo em ajudar a encontrar uma alternativa para a sede", ressalvando que "foram já apresentadas algumas soluções que não foram do agrado" do Ginásio do Alto do Pina, mas que "neste momento, a Direção Municipal de Habitação e Desenvolvimento Local apenas tem espaços para disponibilizar em bairros municipais, tendo proposto estes espaços". "Da parte da câmara mantemos a disponibilidade de continuarmos a trabalhar com esta coletividade para encontrar alternativas que possam satisfazer da melhor forma o interesse" do Ginásio do Alto do Pina.

ana.meireles@dn.pt

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