O PS criticou esta terça-feira a "visão populista" do presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), por considerar que "às estatísticas opõe as perceções" sobre segurança, ao que o social-democrata lamentou que os socialistas deixem o campo da moderação."O que temos é um presidente da câmara que passou três anos a fazer oposição à oposição, a culpar tudo e todos, menos a capacidade de governar a cidade de Lisboa, desejando sempre agradar a gregos e a troianos, sem conseguir nem agradar nem a uns nem a outros, porque para decidir é preciso coragem", afirmou o deputado municipal do PS Duarte Marçal.O socialista falava na reunião da Assembleia Municipal de Lisboa, que contou com a presença do presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), para apresentar o trabalho do executivo camarário nos últimos três meses, entre novembro e janeiro, em que destacou a construção de "uma cidade renovada, para todos e com futuro", nomedamente na habitação, no estado social local e na mobilidade.Na perspetiva do PS, o executivo liderado por PSD/CDS-PP falhou em eixos fundamentais como habitação, espaço público, higiene urbana, mobilidade e proteção dos mais vulneráveis."Eixos fundamentais que podemos afirmar, naqueles que são os últimos meses antes das eleições [autárquicas, que ocorrerão entre setembro e outubro deste ano], este executivo não conseguiu assegurar e hoje a cidade de Lisboa é uma cidade pior do que em 2021", declarou Duarte Marçal.Considerando que se vivem "tempos de grandes desafios, não apenas para a cidade, mas para as democracias", o socialista criticou a "visão populista" de Carlos Moedas quanto ao tema da segurança, porque "não quer trabalhar com os factos, quando os factos não sustentam o seu discurso" e, por isso, "aos factos e aos números opõe casos individuais, às estatísticas opõe as perceções".Duarte Marçal disse que foi "com grande preocupação, mas sem espanto", que viu o "discurso irresponsável" sobre segurança chegar ao PSD, partido que "devia combater o populismo"..Câmaras de videovigilância começaram a ser instaladas no Cais do Sodré em Lisboa. "Não os conseguindo vencer, prefere juntar-se a eles", considerou o socialista, referindo-se à aproximação dos sociais-democratas ao discurso da extrema-direita, acusando o PSD de "negar a verdade para conseguir melhores resultados eleitorais"."Para esta visão populista não contarão com o PS", avisou.O socialista acusou ainda Carlos Moedas de "constantemente se apropriar das obras passadas", incluindo na habitação e no Plano Geral de Drenagem, e afirmou que "estes últimos três anos são a mais longa campanha eleitoral da história da cidade".Em resposta, Carlos Moedas afirmou: "Se fossem obras passadas, estavam feitas".O social-democrata disse ainda que esteve "sempre ao lado da coragem, muitas vezes até sozinho", para "solucionar problemas que estão parados há anos", desde a higiene urbana à resposta às pessoas em situação de sem-abrigo, comparando a sua liderança com a anterior gestão municipal do PS."Não conseguimos resolver problemas de 14 anos em três anos", salientou.Sobre a crítica de querer agradar a todos, o presidente da câmara encarou como "um elogio", porque o que pretende é ser "um político moderado"."Tenho pena, muitas vezes, de ver um partido como o PS a deixar esse campo da moderação. Era muito importante que o PS continuasse nesse campo da moderação", apontou o social-democrata, considerando que "a moderação é a tolerância, é ouvir as pessoas e é tomar decisões"."É muito mais corajoso hoje ser moderado do que ser extremista, porque ser extremista é fácil, é ter uma opinião radical [...]. O PS afastou-se de uma linha que é tão essencial para o futuro do nosso país, que são os partidos moderados. É triste ver que o país começa a radicalizar-se", disse Carlos Moedas.Ressalvando que a agressividade dos extremos "é má para a democracia", o autarca do PSD fez um apelo aos partidos do centro para que se unam nessa moderação e tolerância, "que é tão importante para o futuro da cidade e do país".Sobre a resposta às pessoas em situação de sem-abrigo, o PS criticou a "guetização" desta população na freguesia do Beato, onde a câmara tem "o maior centro de acolhimento", que está a ser renovado, com um projeto de cinco milhões de euros, segundo indicou Carlos Moedas, defendendo que é preciso ter outras freguesias solidárias para resolver "um problema tão grande".Maria Escaja, do BE, também teceu críticas ao executivo quanto ao "turismo excessivo e massificado", além da preocupação com a habitação, pessoas em situação de sem-abrigo, mobilidade suave e higiene urbana, ao que Carlos Moedas respondeu com a regulação do turismo, incluindo com o aumento do valor da taxa turística e com o regulamento dos tuk-tuk.