A sebenta que ajuda os mais velhos a passar o tempo de quarentena

A plataforma de intervenção artística Mistaker Maker lançou um conjunto de atividades para exercitar a mente e ajudar os idosos a levantarem-se do sofá, "e a formarem o pensamento positivo" em tempos de isolamento social. Chama-se Sebenta da Quarentena e reúne 40 ideias de outros tantos artistas.

Em pleno cenário pandémico, o olhar da MistakerMaker voltou-se para os mais idosos "que muitas vezes são esquecidos", explica a mentora do projeto Lara Seixo Rodrigues. Foi neste sentido que, uma semana antes da declaração do estado de emergência, a plataforma se reuniu para pensar soluções para os idosos em tempos de isolamento.

O resultado foi a Sebenta da Quarentena, um compêndio de 40 ideias ilustradas por mais de 40 autores (ilustradores, artistas plásticos, escritores e street artists) que perguntaram aos seus pais e avós que tipo de atividades gostariam de fazer.

Para usar a sebenta, basta descarregar as imagens do site, imprimir e dedicar-se a cada uma delas por ordem numérica ou alfabética, por grau de dificuldade, por tipo de desafio ou por simples preferência de imagem ou mensagem. Todos são encorajados a partilhar no Facebook os resultados, a colocá-los na sua janela, a enviar para os filhos ou netos ou a encaminhar para os vizinhos.

Mas mais do que uma forma de passar o tempo, a Sebenta da Quarentena propõe ser "um instrumento de comunicação entre idosos, equipas de proximidade, juntas de freguesia e câmaras municipais", explica Lara. A missão é clara: "Criar algo que ajude os idosos a levantarem-se do sofá, a formarem o pensamento positivo", aventurando-se em aulas de ginástica, labirintos, sopas de letras, esquemas para bordar...


Esta não é a primeira vez que a plataforma se vira para este público: o projeto Lata 65, um workshop de Arte Urbana por idosos, integra já uma longa lista de iniciativas.

20 mil a usar a sebenta

As sebentas, impressas por uma gráfica que ajudou o projeto, foram entregues a câmaras municipais e juntas de freguesia para serem distribuídas por diversas instituições, e circulam já por todo o país.

A instituição Geridade, em Lisboa, recebeu-as na semana passada. Para além das atividades habituais, "vamos implementando algumas fichas da sebenta", conta Gisela Vaz, animadora sociocultural, "Está a ser bom porque há algumas atividades que não podemos fazer", explica de seguida. Apesar das sessões de movimento, de coordenação e de estimulação cognitiva se manterem, uma das atividades preferidas dos idosos, os jogos de mesa, foram suspensos por uns tempos.

"Só podem jogar dois de cada vez porque estão no mesmo quarto", esclarece Gisela, "E depois, para passar para outros utentes, temos de desinfetar os jogos. Tentamos usar menos materiais, menos recursos". A sebenta surge para colmatar esta falha - "Vem complementar as outras atividades, é criativo e interessante".

Mesmo antes de nos atender o telefone, Gisela acompanhava duas senhoras que preenchiam algumas fichas da sebenta "com gosto" - Gisela sublinha apenas que é preciso estimular os mais velhos para começarem, mas, mal se embrenham, são capazes de contagiar todos os outros utentes.

Segundo Lara, são já 20 mil os utilizadores da sebenta, e são cada vez mais as instituições que as pedem. No fim da chamada telefónica com Gisela, as senhoras, nos seus quartos, já terão terminado algumas das tarefas - "Agradecemos aos criativos que nos enviaram a sebenta", termina Gisela.

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