O presidente ucraniano propôs a criação de um Exército europeu com a participação do seu país, tendo em conta as mais recentes mudanças geopolíticas. “Ter umas forças armadas europeias não significa competir com os Estados Unidos da América. Significa que a Europa, enquanto continente separado, deve ter o seu próprio Exército forte. Isto não destrói, nem substitui a NATO”, considerou Volodymyr Zelensky, depois de lembrar que esta sua ideia já tinha sido revelada no ano passado aos seus parceiros e não foi tida em conta até ao momento. O líder ucraniano recordou a meta da Rússia de contar nas suas fileiras 2,5 milhões de soldados em 2030, pelo que a Europa deve ter, no mínimo, uma força com três milhões, além dos Exércitos de cada país. Mas, para Zelensky, as forças armadas europeias seriam mais do que isso. “É também troca de tecnologia. Temos experiência em tempo de guerra — partilhamos as nossas tecnologias com os parceiros e eles fornecem-nos, por exemplo, informações; a França fornece informações, outros países também o fazem, e nós fornecemos os nossos intercetores, aquilo que foi testado em tempo de guerra”, explicou..Em Kiev, há 90 mil imóveis sem energia, numa altura em que as temperaturas máximas atingem -12 ºC..A Rússia prossegue o seu ataque diário às infraestruturas energéticas — em específico as subestações elétricas — e às áreas residenciais ucranianas. Da noite de segunda-feira à manhã de terça, as forças russas lançaram 18 mísseis balísticos, 15 mísseis de cruzeiro, um míssil antinavio e 339 drones, segundo o Exército ucraniano. A capital e a região de Kiev foram desta vez o alvo principal. As forças ucranianas dizem ter conseguido intercetar ou desviar a maioria dos mísseis e dos drones de ataque, mas cinco dos primeiros e 24 dos segundos atingiram 11 alvos. E os destroços daqueles que foram abatidos caíram sobre outros 12 locais.Em consequência, mais 5635 casas deixaram de ter energia, disse o presidente da Câmara Vitali Klitschko. No total, segundo a empresa DTEK, quase 90 mil imóveis estão privados de aquecimento em Kiev, numa altura em que as temperaturas variam entre -12 ºC e -16 ºC. O edifício do Parlamento também ficou sem eletricidade. E as áreas não atingidas diretamente apenas recebem oito horas diárias de energia.Em Davos, o ministro da Economia Oleksii Sobolev acusou a Rússia de ter destruído, desde outubro, cerca de 8,5GW de produção energética, incluindo centrais térmicas e hidroelétricas. Algumas instalações reparadas voltaram a ser atingidas por ataques, notou.Zelensky disse que as consequências do bombardeamento não foram mais graves graças aos mísseis e equipamentos recebidos recentemente, mas que só o custo dos mísseis utilizados se saldou em cerca de 80 milhões de euros. Enquanto isso, lamenta, a Rússia “continua a ter meios de contornar as sanções internacionais e de obter componentes essenciais, sem os quais estes mísseis russos não existiriam”.