O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky
O presidente ucraniano, Volodymyr ZelenskyEPA/SERGEY DOLZHENKO

Zelensky nega envolvimento da Ucrânia em ataque a navios búlgaros e acusa Rússia

O primeiro-ministro búlgaro descreveu o que aconteceu como "absolutamente inaceitável" e uma flagrante violação do direito internacional.
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O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, rejeitou esta terça-feira, 6 de outubro, qualquer implicação do seu país nos ataques a dois cargueiros búlgaros no Mar Negro, um dos quais acabou por afundar, que ocorreram durante a noite passada, apontando responsabilidade à Rússia.

"As Forças de Defesa da Ucrânia não realizaram operações nesta zona do mar", afirmou Zelensky numa mensagem nas suas redes sociais, onde sublinhou que esta "última tragédia" faz parte dos esforços da Rússia para tornar esta rota marítima "completamente inadequada para a navegação".

Zelensky enviou uma mensagem de solidariedade aos afetados e anunciou que os serviços de inteligência ucranianos estão a recolher toda a informação disponível sobre este assunto e a verificar os detalhes com a parte búlgara.

"A nossa Marinha contactou a sua contraparte na Bulgária, e confirmou-se que se tratou de um ataque combinado russo usando drones marítimos e aéreos", adiantou o presidente ucraniano, que na segunda-feira já denunciou outro ataque de uma embarcação com bandeira turca no Mar Negro, que causou dois mortos.

O primeiro-ministro búlgaro Rumen Radev descreveu o que aconteceu como "absolutamente inaceitável" e uma flagrante violação do direito internacional.

Num momento em que se aguarda uma reação de Moscovo, recorda-se que o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, na semana passada, já afirmou que a Ucrânia terá de "pagar um preço" pelos seus ataques no Mar Negro e argumentou que as ações da Rússia procuram "cortar completamente" o fornecimento de materiais militares ao seu inimigo através desta via marítima.

Este ataque já gerou várias reações da comunidade internacional e o Ministério dos Negócios Estrangeiros português também já condenou hoje os ataques contra navios comerciais nas zonas económicas exclusivas da Roménia e da Bulgária, no mar Negro.

"Atacar navios civis é inaceitável e ameaça não só a segurança regional, mas também as cadeias globais de abastecimento e a segurança alimentar", defendeu o ministério numa publicação na rede social X, em que identifica as contas oficiais das ministras dos Negócios Estrangeiros da Bulgária, Velislava Petrova, e da Roménia, Toiu Oana.

"A liberdade de navegação no Mar Negro é essencial", acrescentou o ministério.

Em causa estão os ataques contra o cargueiro turco Royad Mammadov na zona económica exclusiva da Roménia, no qual dois tripulantes morreram e 11 foram resgatados, no domingo, e de outros dois navios terem sido atingidos hoje ao longo da costa da Bulgária.

Um dos navios, o Alfa Watan, que navegava sob a bandeira do Togo, sofreu danos estruturais críticos e afundou-se no local, referiu hoje o primeiro-ministro búlgaro, Rumen Radev, acrescentando que não há ainda informações sobre a situação da tripulação.

A segunda embarcação, o Able, que navegava sob a bandeira de Palau, incendiou-se após o ataque.

Toda a tripulação, composta por 18 pessoas, foi retirada por um 'ferry' búlgaro.

Dois dos marinheiros sofreram ferimentos graves e foram transportados de avião para um hospital na cidade portuária de Varna, anunciou Radev.

A origem dos drones não foi ainda determinada.

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