Xi avisa Trump para manter “postura correta contra independência de Taiwan"
Annabelle Gordon/EPA

Xi avisa Trump para manter “postura correta contra independência de Taiwan"

Em declarações públicas na Casa Branca, no início da visita de Estado aos Estados Unidos presidente chinês defendeu que a China e os Estados Unidos devem reforçar o diálogo e evitar o confronto.
Publicado a: 
Atualizado a: 

O presidente da China, Xi Jinping, avisou na noite de quinta-feira, 24 de setembro, na Casa Branca o homólogo norte-americano, Donald Trump, que espera que Washington "mantenha a sua postura correta contra a 'independência de Taiwan'", segundo a imprensa oficial de Pequim.

De acordo com a agência de notícias chinesa Xinhua, na reunião entre os chefes de Estado das duas maiores potências globais, Xi "expressou o desejo de que os Estados Unidos mantenham a sua postura correta contra a 'independência de Taiwan', tratem a questão de Taiwan com prudência e lancem bases sólidas para a cooperação estratégica entre a China e os Estados Unidos e para o desenvolvimento das relações bilaterais".

O regime comunista da China reivindica o controlo de Taiwan, ilha democrática com governo próprio, que tem contado com apoio diplomático e militar dos Estados Unidos, que contudo não reconhecem a sua independência.

Em declarações públicas na Casa Branca, no início da visita de Estado aos Estados Unidos Xi Jinping defendeu que a China e os Estados Unidos devem reforçar o diálogo e evitar o confronto, considerando que as duas potências partilham uma "responsabilidade histórica" pelo progresso.

"Perante as mudanças de importância histórica no nosso mundo e na nossa época, a China e os Estados Unidos, como duas grandes potências, partilham uma responsabilidade histórica" pelo progresso humano, afirmou Xi, que iniciou na quarta-feira uma visita de três dias a Washington, a sua primeira ao país em 11 anos.

Xi avisa Trump para manter “postura correta contra independência de Taiwan"
Xi indica a Trump o rumo que EUA e China devem seguir para evitar um conflito

Numa breve declaração antes da cimeira com o homólogo norte-americano, Donald Trump, o líder chinês defendeu que os dois países devem continuar a competir, mas sem permitir que a rivalidade conduza a um conflito.

"A China e os Estados Unidos não devem ultrapassar a linha do conflito e do confronto", disse o líder chinês.

Xi apelou ainda a Washington e Pequim para que procurem "reforçar a comunicação" e "cooperar com sinceridade".

Durante a visita, o presidente chinês anunciou também que a China vai enviar dois pandas para o jardim zoológico de Atlanta, apresentando os animais como "embaixadores da amizade" entre os dois países.

A visita motivou críticas de congressistas democratas, que exigiram a Trump uma posição firme perante Pequim sobre o alegado apoio chinês ao Irão.

"Atração inata por ditadores"

Numa carta enviada à Casa Branca esta semana, os congressistas democratas defenderam que o presidente deveria aproveitar o encontro para condenar o papel atribuído à China no fornecimento de armamento e de apoio a Teerão e exigir o fim dessa colaboração.

O líder dos democratas no Senado norte-americano, Chuck Schumer, criticou a receção de Donald Trump ao presidente chinês, Xi Jinping, comparando-a com a visita de Vladimir Putin ao Alasca, no ano passado.

"Este homem tem uma atração inata por ditadores", afirmou Schumer, num discurso no plenário do Senado, referindo-se ao Presidente norte-americano. "Há algo realmente errado com ele", acrescentou o senador democrata.

As reservas à receção de Xi estendem-se, porém, ao Partido Republicano.

O presidente da Comissão das Forças Armadas do Senado, Roger Wicker, afirmou que teria desaconselhado uma visita com semelhante aparato, tendo em conta as divergências entre Washington e Pequim.

Outros senadores republicanos, incluindo Mitch McConnell, instaram o Governo de Trump a avançar com a assistência militar e as vendas de armamento a Taiwan, receando que a aproximação diplomática à China prejudique a capacidade de defesa da ilha autogovernada, cuja soberania é reivindicada por Pequim.

A Casa Branca justificou a receção como uma retribuição da visita de Trump à China, em maio, defendendo que o Presidente procura manter relações diplomáticas que permitam promover os interesses norte-americanos.

Diário de Notícias
www.dn.pt