Vitória histórica para a extrema-direita nas eleições regionais da Saxónia-Anhalt
O partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), liderado por Ulrich Siegmund, confirmou este domingo, dia 6 de setembro, um triunfo histórico nas eleições parlamentares do Estado federado de Saxónia-Anhalt, ao alcançar 44,2% dos votos e conquistar 39 dos 83 mandatos em disputa, infligindo uma inédita e pesada derrota à União Democrata-Cristã (CDU) num escrutínio marcado pela mobilização popular maciça.
Às 00h30 em Lisboa, com o apuramento oficial em 99,2% em Magdeburgo, a formação nacionalista mais do que duplicou os 20,8% de 2021, assinando o seu melhor registo na República Federal. A CDU do ministro-presidente Sven Schulze afundou para 17,1% (15 mandatos), o pior resultado da sua história. O SPD alcançou 9,2% (oito lugares), os Verdes registaram 8,9% (oito) e o Die Linke obteve 8,5% (oito). A Aliança Sahra Wagenknecht (BSW) conseguiu furar o limiar legal com 5,3% (cinco), enquanto os liberais do FDP somaram 2,6% e perderam a representação institucional, deixando a bancada de Siegmund a escassos três lugares da maioria absoluta de 42 deputados.
Nas declarações emitidas na noite deste domingo à televisão pública ZDF, Ulrich Siegmund celebrou o avanço: "Escrevemos história neste Estado. As pessoas deram um sinal que dificilmente poderia ser mais claro e nada pode continuar como dantes". O candidato estendeu a mão ao diálogo para uma viragem política, mas avisou que a bancada "não se vai vergar" e rejeitou, para já, liderar um Executivo minoritário, enquanto a colíder federal Alice Weidel reivindicou um "mandato claro para governar".
Apesar do triunfo categórico, a AfD ficou a escassos três deputados da fasquia dos 42 mandatos necessários à maioria absoluta autónoma. Com os partidos tradicionais a reiterarem o compromisso com a Brandmauer – o cordão de segurança democrático que veta qualquer coligação com a bancada extremista –, abre-se um impasse severo. A única alternativa matemática exigiria um entendimento inédito entre cinco forças políticas opostas, aumentando a pressão sobre o chanceler federal Friedrich Merz perante a nova realidade no Leste.
Em termos regionais, e perante apoiantes em apoteose em Magdeburgo, Ulrich Siegmund reivindicou de imediato a chefia governativa: "Esta vitória inequívoca confere-nos a responsabilidade democrática de liderar a região; qualquer manobra das restantes forças para contornar o resultado representará um desrespeito frontal pela vontade da maioria".
Em sentido oposto, logo ao início da noite, quando as projeções à boca das urnas já davam uma vitória esmagadora aos extremistas da AfD, Sven Schulze reconheceu de imediato um revés categórico:: "É uma derrota amarga e dolorosa para a moderação política. A frustração popular com Berlim ditou um castigo que abala a nossa estrutura."

