Vitória da AfD: França alerta para "sinal muito preocupante", enquanto extrema-direita europeia celebra
A Alternativa para a Alemanha (AfD, na sigla original) conquistou uma vitória histórica nas eleições de domingo (6 de setembro), tornando-se o maior partido na Saxónia-Amhalt e alcançando o melhor resultado da sua história numa eleição regional alemã. Uma noite eleitoral que não deixa a Europa (e não só) indiferente.
O ministro da Economia e das Finanças francês, Roland Lescure, apelidou a vitória da AfD como "um sinal muito preocupante", avisando que a Europa enfrenta uma crescente onda populista que "é preciso resistir".
Também o ministro dos Assuntos Europeus francês, Benjamin Haddad, descreveu a vitória da AfD como um "momento muito grave para a Europa", defendendo que "o nacionalismo e a xenofobia nunca serão a resposta".
Isto num contexto de pré-campanha eleitoral para as presidenciais do próximo ano em França, onde a líder parlamentar do Reagrupamento Nacional, Marine Le Pen, é a favorita nas sondagens.
Jean-Luc Mélenchon, candidato presidencial d'A França Insubmissa (esquerda radical), fala num "desastre" que é "uma demonstração catastrófica da cegueira dos políticos centristas europeus"
Em Itália, onde a primeira-ministra Giorgia Meloni governa em coligação, o vice-primeiro-ministro, Matteo Salvini, da Liga (extrema-direita) saudou o resultado, afirmando que demonstra a força da exigência pública por "mudança, segurança e emprego" e argumentando que "outra Europa é possível".
Posição diferente teve o chefe da diplomacia, Antonio Tajani, da Força Itália, que falou em "más notícias" e alertou contra a disseminação de tendências "iliberais", populistas e extremistas na Europa.
Na Polónia, foi o próprio primeiro-ministro Donald Tusk a reagir. "Na Polónia, só os idiotas ou traidores se podem regozijar com o triunfo do AfD na Alemanha", escreveu no X, alegando que muitos deles estão nos partidos da oposição Lei e Justiça (PiS) e Confederação (Konfederacja).
Quem se congratulou com a vitória da AfD foi a extrema-direita europeia.
Na Hungria, o ex-primeiro-ministro Viktor Orbán falou de uma "grande noite para a Alemanha e a Europa", alegando que "isto é só o princípio".
Em Espanha, o líder do Vox, Santiago Abascal, felicitou a colíder do partido, Alice Weidel, e o líder local na Saxónia-Anhalt, Ulrich Siegmund, falando no resultado como "uma grande esperança para a Alemanha e para a Europa".
Em Portugal, o líder do Chega, André Ventura, celebrou a vitória "histórica" da AfD, escrevendo no X que "os alemães estão a abrir os olhos contra a imigração ilegal e descontrolada, a corrupção e a captura da nossa liberdade e identidade".
As reações não vieram só da Europa. O milionário Elon Musk, dono do X, respondeu em alemão "Gut gemacht", isto é, "bom trabalho", a uma mensagem onde a líder da AfD felicitava Siegmund. Este agradeceu o "apoio" e "clara e importantíssima perspectiva sobre os desenvolvimentos políticos da nossa época -- incluindo aqui na Alemanha", acrescentando "Se assumirmos a nossa responsabilidade, terei todo o gosto em colaborar de forma sólida e construtiva. A Alemanha voltará a ser um local onde vale a pena investir."
A AfD venceu com 43,8% dos votos e elegeu 39 deputados no Parlamento regional (ficando a três da maioria absoluta), com a CDU do chanceler Friedrich Merz a não ir além dos 17,2% e 15 deputados.
Todos os partidos rejeitam fazer uma aliança com a AfD, mas a Aliança Sahra Wagenknecht (economicamente da extrema-esquerda, mas conservadora nos valores) conseguiu passar os 5% necessários para entrar no Parlamento (terá cinco deputados) e nunca excluiu poder cooperar com o partido para facilitar um governo minoritário.

