Carlos III chega esta sexta-feira à Austrália para aquela que será a sua décima sexta visita aquele país e a sua primeira viagem a um território ultramarino do Reino Unido desde que subiu ao trono há pouco mais de dois anos. Uma viagem que reavivou o debate sobre se a Austrália deveria continuar a ter como chefe de Estado alguém sentado num trono em Londres ou tornar-se uma república, sendo que o filho de Isabel II já afirmou que não se oporá a que tal aconteça..Uma sondagem publicada esta semana pelos jornais da News Corp mostra que 45% dos australianos prefere que a Austrália continue uma monarquia constitucional, 33% defendem a instauração de uma república e os restantes estão indecisos sobre o assunto. “A maior parte dos australianos, sejam monárquicos ou republicanos, estão cientes da profunda afeição do rei pela Austrália”, referiu à Reuters George Brandis, alto comissário de Camberra em Londres entre 2018 e 2022. Uma afeição que, segundo a casa real britânica, “começou em 1966 quando, de forma privada, Carlos passou dois períodos como estudante de intercâmbio” numa zona rural país. Tinha 17 anos..Esta semana também foi divulgada uma carta enviada em março por Carlos III ao Movimento da República Australiana (ARM), em resposta a uma missiva deste movimento, datada de dezembro, a pedir uma audiência ao monarca para discutir o futuro do país e a sua relação com o Reino Unido durante a visita que agora se realiza. Era também pedido ao rei para que considerasse “apoiar publicamente a vontade do povo australiano e o seu desejo de avançar para uma república”. .Frisando o “amor e afeição pela Austrália e os australianos” professado por Carlos III, a carta, assinada pelo secretário pessoal assistente do rei e divulgada pelo Daily Mail, garante ao ARM que “os vossos pontos de vista nesta matéria foram anotados com muito cuidado. Sua Majestade, como monarca constitucional, age de acordo com o conselho dos seus ministros, e se a Austrália se tornará uma república é, portanto, uma questão que cabe ao povo australiano decidir”. .“Cabe à Austrália decidir o que quer fazer com o chefe de Estado. E o melhor momento para pensarmos sobre isso é quando o rei estiver aqui esta semana”, explicou ao The Guardian Nathan Hansford, um dos líderes do Movimento da República Australiana. Este responsável adiantou que uma sondagem levada a cabo pelo AMR concluiu que 8% dos australianos são monárquicos, 60% preferem um chefe de Estado australiano e 40% não têm a noção de que Carlos III é o chefe de Estado do país. “As pessoas estão a começar a pensar: é que isto que nós somos como país em 2024?”, prosseguiu Hansford. .Há 25 anos, um referendo sobre se a Austrália se deveria tornar uma república foi derrotado, com 54,9% dos votos, e a questão acabou por sair da agenda política. O atual primeiro-ministro, Anthony Albanese, chegou a ser um forte apoiante do republicanismo, dizendo que a Austrália deveria ter um chefe de Estado australiano, e quando assumiu a liderança do governo, há dois anos, nomeou um dos deputados do seu partido como secretário de Estado adjunto para a república, tornando clara a sua intenção de avançar com um novo referendo..No entanto, desde então, afastou a possibilidade de haver uma nova consulta popular e em julho tal cargo de secretário de Estado adjunto foi extinto..Carlos é atualmente chefe de Estado de 15 nações da Commonwealth, entre as quais, além da Austrália, o Canadá e a Jamaica. Outros países decidiram quebrar estes laços com a monarquia britânica, como a Índia através de uma nova Constituição, as Ilhas Fiji, resultado de um golpe militar, ou o Zimbabué, na sequência de um referendo. .ana.meireles@dn.pt