Vice-primeiro-ministro polaco culpa Merkel e UE pelo "poder" de Putin

Zbigniew Ziobro atribuiu a Merkel "responsabilidade pessoal na criação do monstro que hoje assassina mulheres e crianças na Ucrânia", e denunciou ainda que quando Vladimir Putin "praticava terrorismo de Estado construíam juntos [com a ex-chanceler alemã] o gasoduto Nord Stream 2".

O vice-primeiro-ministro polaco, Zbigniew Ziobro, acusou esta segunda-feira a ex-chanceler alemã Angela Merkel e a União Europeia (UE) de terem "construído" o poder do Presidente russo, Vladimir Putin.

Numa entrevista publicada esta segunda-feira num semanário polaco, citada pelas agências internacionais, Zbigniew Ziobro atribuiu a Merkel "responsabilidade pessoal na criação do monstro que hoje assassina mulheres e crianças na Ucrânia".

Nas mesmas declarações, o vice-primeiro-ministro polaco denunciou ainda que quando Vladimir Putin "praticava terrorismo de Estado construíam juntos [com a ex-chanceler alemã] o gasoduto Nord Stream 2", numa referência ao projeto russo-germânico que foi classificado no passado como "nefasto" pelo Governo de Varsóvia.

"A posição do chanceler (Olaf) Scholz também deixa muito a desejar", disse Ziobro, referindo-se ao atual executivo de Berlim.

Para o vice-primeiro-ministro polaco, a UE "construiu" o poder do Presidente da Rússia, que, na sua opinião, "teme a NATO, onde há obrigações militares reais" porque "é um 'bandido' e um 'bandido' teme sempre o mais forte".

"A falta de decisão de Bruxelas sobre o fundo de recuperação económica destinado à Polónia está a ajudar (Vladimir) Putin", disse ainda o político polaco conhecido pela sua postura eurocética e pelas críticas ao bloco comunitário.

A Comissão Europeia mantém bloqueada a entrega dos fundos de recuperação à Polónia - 36 mil milhões de euros no total - até que o país empreenda várias reformas que venham garantir a independência do sistema judicial.

Na mesma entrevista, Zbigniew Ziobro afirmou que o Presidente russo "joga com a União Europeia de forma impune", considerando que Bruxelas contribuiu em grande medida para o reforço da "posição de poder" de Putin ao reter os fundos, algo que aponta como um "assunto vergonhoso" e que diz ser "um triunfo" para o líder do Kremlin.

"Talvez o interesse pela segurança e o problema dos refugiados impulsionem temporariamente Bruxelas a mudar de política", declarou.

Os últimos dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) indicam que o número de deslocados internos ucranianos devido à invasão russa, iniciada em 24 de fevereiro, ronda os 10 milhões de pessoas, sendo que 3,48 milhões são pessoas que saíram do território ucraniano e procuraram refúgio nos países vizinhos, nomeadamente na Polónia.

Segundo o ACNUR, a Polónia recebeu mais de dois milhões desses refugiados, enquanto centenas de milhares deixaram a Ucrânia para os países vizinhos Hungria, Eslováquia, Moldova, Roménia, Rússia e, em menor escala, para a Bielorrússia.

De acordo com a agência de notícias polaca PAP, Varsóvia informou nos últimos dias a Comissão Europeia e os parceiros europeus de que o custo da ajuda a prestar aos refugiados da Ucrânia que entraram na Polónia é da ordem dos 2.200 milhões de euros.

Segundo as autoridades polacas, o valor não inclui os gastos que vão ser precisos para integrar os refugiados nos sistemas de saúde e de educação da Polónia.

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