Vaga de protestos na Europa. Mil pessoas detidas em França e 400 detidos ou retidos em Itália
Quase mil pessoas foram detidas durante as manifestações deste sábado (24 de outubro) em França. Este é o balanço provisório do ministro do Interior, que sublinhou que a intervenção policial permitiu evitar pilhagens e ataques a edifícios públicos.
Em declarações aos jornalistas, transmitidas pela televisão BFMTV, Laurent Nuñez indicou que as detenções superam as 385 registadas no sábado passado. O governante acrescentou que o "número ainda vai aumentar significativamente".
O ministro descreveu os protestos como "bem, enquadrados pelas forças de segurança interna”.
A maioria dos incidentes foram causados por militantes de "ultraesquerda e de extrema-esquerda" em cidades como Paris, Marselha, Nantes, Rennes, Tours, Bordéus, Dijon, Grenoble, Marselha e Toulouse.
No entanto, também referiu que em Nice e Montpellier se registou a "presença de militantes da extrema-direita que procuravam confrontar militantes da extrema-esquerda ou, pelo menos, proteger as lojas", algo que disse ser inédito.
Nuñez garantiu que "o dispositivo de segurança permanece em vigor até muito tarde esta noite" para "evitar que os grupos se dispersem e tentem chegar aos centros das cidades para cometer saques".
Segundo o Ministério do Interior, participaram nas manifestações em França, 410 mil pessoas, mas o sindicato CGT estimou que o número seja quase o dobro, 800 mil.
Em Paris, na manifestação Ato II, que partiu da Porta de Itália para a Praça de Vincennes, caminho imposto pelas autoridades e que evita a zona da Bastilha e o centro da cidade, foi daquelas que a polícia teve de intervir.
Nesta manifestação participam mais de cem mil pessoas, avançou a polícia.
Apesar de se ter iniciado "de forma calma", pelas 14h00 locais (menos uma hora em Lisboa) segundo as autoridades, a tensão rapidamente aumentou tendo as autoridades utilizado canhões de água, para dispersar alguns focos de violência.
400 detidos ou retidos nas manifs em Itália
Milhares de pessoas saíram este sábado às ruas das principais cidades italianas — como Roma, Milão, Turim, Nápoles, Bolonha e Florença — para protestar contra o aumento do custo de vida, os preços da habitação e as despesas militares. A jornada de contestação mobilizou um forte contingente policial e culminou na detenção de nove pessoas e na retenção de mais de 370 pelas autoridades, entre as quais 110 menores levados para as esquadras, segundo fonte policial citada pela AFP.
O dispositivo de segurança foi amplamente reforçado em todo o país após os graves distúrbios e saques registados no fim de semana anterior em Milão. Com o receio de novos episódios de violência, as autoridades intensificaram a vigilância preventiva através de controlos rigorosos nas estações ferroviárias e do destacamento de patrulhas de proteção em zonas comerciais.
Na capital, Roma, uma manifestação pacífica contra a guerra ligou a Praça da República aos Fóruns Imperiais, decorrendo em paralelo com um protesto espontâneo de jovens sob apertada vigilância. As forças de segurança identificaram preventivamente mais de 200 jovens na capital e conduziram 63 às esquadras, apreendendo diverso material como capuzes, máscaras, aerossóis e equipamento de camuflagem.
Apesar da escolta apertada a centenas de estudantes em Milão, registaram-se episódios de tensão no norte do país ao final da tarde. Em Turim, milhares de manifestantes dirigiram insultos ao Governo em marchas marcadas por momentos de atrito com o dispositivo de intervenção, enquanto em Bolonha um protesto inicialmente pacífico acabou por degenerar em confrontos diretos com a polícia.
Gás lacrimogéneo em Bruxelas
A polícia belga usou este sábado à tarde gás lacrimogéneo contra os jovens que derrubaram o cordão policial que impedia os manifestantes de terem acesso às principais ruas do centro de Bruxelas.
O protesto contra aumento do custo de vida e dos combustíveis começou junto à Estação Central por volta das 14h00 locais (13h00 em Lisboa) de forma pacífica, mas cerca de 300 jovens, quando a manifestação estava próxima do centro de Bruxelas, derrubaram o cordão policial para tentarem chegar às principais ruas.
Segundo a imprensa belga, a polícia respondeu com gás lacrimogéneo e tentou bloquear o acesso a várias ruas.
Várias lojas fecharam, com as montras protegidas, após os atos de vandalismo da semana passada.
25 mil nas ruas em Madrid
Os cerca de 25 mil manifestantes registados pelas autoridades madrilenas, segundo a AFP, fizeram um percurso desde a estação de Atocha e a rua Alcalá, passando pelo Museu do Prado e a praça de Cibeles.
Em Madrid, na praça da Puerta del Sol, há também uma acampada pelo direito à habitação que entra hoje no 28.º dia.
Os protestos decorrem igualmente em Itália contra o aumento do custo de vida, os baixos salários e o aumento da despesas com a Defesa. As autoridades reforçaram a segurança nas principais cidades, como Roma e Milão, uma semana depois dos tumultos no norte do país.
Em Tirana, na Albânia, os jovens estudantes continuam na rua contra as más condições de ensino e a falta de oportunidades.
Com Lusa

