O Presidente do Brasil, Lula da Silva
O Presidente do Brasil, Lula da SilvaFoto: EPA/ANDRE BORGES

"É uma doença". Lula promete acabar com as casas de apostas e provoca furacão no futebol brasileiro

A duas semanas das eleições presidenciais, marcadas para 4 de outubro, Presidente brasileiro intensifica críticas às casas de apostas e aos clubes que dependem os seus patrocínios.
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A pouco mais de duas semanas da primeira volta das eleições presidenciais brasileiras, marcada para 4 de outubro, Luiz Inácio Lula da Silva intensificou o discurso contra as casas de apostas, conhecidas no Brasil como bets, e entrou em confronto com alguns dos principais clubes de futebol do país.

Durante um comício de campanha em Guarulhos, no estado de São Paulo, na sexta-feira, 18 de setembro, o Presidente prometeu: "A gente vai acabar com as bets e vai acabar com a lavagem de dinheiro, com a safadeza e com a roubalheira. Eu sou presidente da República e vou acabar com a pouca vergonha no futebol".

Na mesma sexta-feira, Lula publicou nas redes sociais um vídeo com testemunhos de pessoas afetadas pelas apostas e dos seus familiares. O Presidente classificou a dependência do jogo como "uma doença" e chamou a atenção para relatos de endividamento, perda de bens e tentativas de suicídio.

A ofensiva ocorre numa altura em que o Governo prepara uma medida provisória para impor novas restrições ao setor, com a intenção, segundo o Metrópoles, de avançar antes da votação de outubro.

A reação do futebol começou ainda na quinta-feira, quando clubes como Flamengo, Corinthians, Palmeiras, Santos, São Paulo, Vasco, Fluminense, Botafogo e Cruzeiro divulgaram um manifesto em defesa do mercado regulado de apostas. Os signatários argumentam que os patrocínios das empresas autorizadas se tornaram uma importante fonte de receita, também para equipas de menor dimensão, e alertam que novas proibições poderão desviar os apostadores para plataformas ilegais.

Lula respondeu aos dirigentes durante o comício, rejeitando a ideia de que o futebol brasileiro não conseguiria sobreviver sem o dinheiro das bets. Recordou os títulos mundiais conquistados por clubes como São Paulo, Santos, Flamengo e Corinthians antes da expansão das casas de apostas e afirmou que pretende conversar com os responsáveis dos clubes.

Apesar da promessa feita em campanha, não está confirmada uma proibição de todas as apostas desportivas. Segundo o Brasil de Fato, a medida provisória que o Governo poderá apresentar na quarta-feira, 23 de setembro, deverá concentrar-se na proibição de jogos de casino online, como o chamado "Jogo do Tigrinho", e em novas restrições à publicidade. De acordo com fontes ouvidas pelo jornal, as apostas desportivas e os patrocínios aos clubes deverão continuar permitidos.

O alcance das novas regras permanece em discussão. De acordo com o portal Metrópoles existem divergências dentro do Governo e que dirigentes de clubes contactaram ministros para manifestar preocupação com as possíveis alterações. A mesma fonte dá conta que os clubes rerecebem mais de mil milhões de reais em patrocínios de empresas de apostas legalizadas.

Com a primeira volta das eleições marcada para 4 de outubro, a proposta poderá ser apresentada ainda durante a campanha, mas o seu conteúdo final não foi anunciado.

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