Na segunda volta das eleições presidenciais de outubro no Brasil estará, salvo algum imprevisto, Lula da Silva, o atual chefe de Estado, de um lado do ringue. No outro, Flávio Bolsonaro. Ou Ratinho Júnior. Ou Romeu Zema. Ou Ronaldo Caiado. Ou Eduardo Leite. Ou Tarcísio de Freitas. Isto é, à esquerda só há plano A. À direita, como há planos do A ao F, o clima até abril, quando as candidaturas devem ser oficializadas, ou mesmo depois disso, é de “primárias” com o objetivo de escolher o anti-Lula ideal.Acresce que nos últimos dias de janeiro, Ronaldo Caiado, governador de Goiás, decidiu trocar de partido: saiu do União Brasil, formação de direita onde não se sentia devidamente apoiado, e juntou-se ao PSD, de centro-direita, onde, no entanto, já militam outros dois presidenciáveis: Ratinho Júnior, governador do Paraná, e Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul. No PSD, a sensação por isso é, mesmo, de “primárias oficiosas”, embora o presidente do partido, Gilberto Kassab, negue que se realizem debates ou votações, ao modo das primárias oficiais dos EUA nos partidos Republicano e Democrata. “O critério é político, a avaliação vai ser feita ao longo destes 60 dias, no mês de fevereiro e em março, acreditamos que até 15 de abril deva estar escolhido esse nome", afirmou o dirigente. Segundo ele, “os três potenciais candidatos são muito bem preparados" e “possuem aprovação extraordinária nos seus estados após oito anos de gestão”. “Caso vençam as eleições, serão bons presidentes da República", concluiu em entrevista à CNN Brasil.“Um número maior de candidatos à direita é a melhor estratégia”, defendeu Caiado, num evento com empresários, levando em conta a recente eleição chilena, na qual o conservador José Antonio Kast superou outros três candidatos desse campo na primeira volta antes de bater Jeannette Jara, de esquerda, na segunda. “Não é para ficar no meio, a contemporizar, mas dá para atrair a atenção dos brasileiros para um caminho diferente”, opinou Eduardo Leite, no mesmo evento. Para Ratinho Júnior, ainda naquele encontro, “o brasileiro está de saco cheio desse ambiente de polarização que só interessa a dois ou três”. Os outros potenciais anti-Lula estão noutros partidos. Romeu Zema, governador de Minas Gerais, é do Novo, partido com uma proposta semelhante à Iniciativa Liberal, em Portugal, e de lá não sai. “Eu e o Novo temos ideias diferentes, o sistema político do Brasil deve ser oxigenado”.Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, é do Republicanos. Ele, porém, mesmo sendo o preferido de boa parte da direita e da centro-direita, insiste que vai tentar a reeleição para mais quatro anos no governo no estado mais populoso e rico do Brasil. Ao contrário dos citados acima, que estão em segundo mandato e, por lei, não se podem recandidatar, Tarcísio equaciona concorrer à presidência só em 2030. Por outro lado, esperou, até ao limite, pela benção de Jair Bolsonaro, de quem foi um dos ministros mais populares, mas desmobilizou quando o ex-presidente apontou o filho Flávio como candidato.Flávio Bolsonaro, senador do PL, é o sexto e último candidato a anti-Lula. Assumido, ao contrário de Tarcísio, e sem concorrência partidária, como Caiado, Leite ou Ratinho, já tem até discurso na ponta da língua. “Se você comparar o Lula a um carro, ele parece aquele Opala [carro antigo comum no Brasil] velhão, que, em algum momento, já foi bonito, já foi um carro de luxo, que dava resultado, que te levava para qualquer lugar. Hoje, o Lula é uma pessoa retrógrada, atrasada e ultrapassada“, disse em entrevista a uma rádio de Sergipe, sobre o presidente, de 80 anos de idade. “É um cara que sequer tem telefone celular, um cara que acha que inteligência artificial só serve para manipular vídeos e fotos em redes sociais. Ele não tem ideia de como isso é importante para um governo que quer se pautar pela modernidade, pela inteligência, pela tecnologia”, continuou. “Lula é um produto vencido. Imagina você fazer um churrasco com aquela picanha que já está cheirando a podre? Você toma uma cervejinha choca? Esse é o Lula hoje. Ninguém consegue mais tragar esse cara”.A economia será outra frente de batalha de Flávio. “O atual ministro das Finanças [Fernando Haddad] já é apelidado de ‘Taxad’, pois não pode ver o bolso do cidadão que já busca uma nova taxa para sacrificar o trabalhador. Temos um caminho claro à frente: ou escolhemos a prosperidade ou continuamos no caminho das trevas com o atual governo”.Lula também já tem discurso pronto. “Preparem-se porque nós queremos ser tetra e vamos disputar as eleições. Não sei com quem, vai ter um tal de março, ou abril, em que os fascistas vão fazer convenção, todo o mundo vai escolher o candidato. O que posso dizer é o seguinte: venha quem vier”.Contra o atual presidente, que segundo as sondagens venceria qualquer adversário em qualquer cenário se as eleições fossem agora, e contra o senador, o nome de direita que por ora melhor pontua, está o fator rejeição. Quase metade da população diz que não vota em Lula “de jeito nenhum” e outra metade que não vota em Flávio “de jeito nenhum”. É essa a esperança dos demais presidenciáveis. .Lula contra mais um Bolsonaro e talvez alguém da terceira via