Ucrânia: Pentágono "desconhece" origem das explosões em base russa na Crimeia

Kiev não reivindicou a responsabilidade pelo ataque e as múltiplas explosões, captadas por testemunhas que posteriormente divulgaram as imagens nas redes sociais, continuam sem explicação.

O Pentágono assegurou esta sexta-feira que não tem informações sobre a causa das recentes explosões numa base militar russa na Crimeia, assinalando também que Washington não forneceu a Kiev nenhuma arma que permita realizar aquele tipo de ataque.

O aeroporto militar russo de Saki, na Crimeia, península ucraniana anexada em 2014 pela Rússia, sofreu fortes danos na terça-feira na sequência de uma série de explosões, anunciadas como acidentais por Moscovo, mas que os especialistas atribuíram a um ataque das forças ucranianas.

Kiev não reivindicou a responsabilidade pelo ataque e as múltiplas explosões, captadas por testemunhas que posteriormente divulgaram as imagens nas redes sociais, continuam sem explicação.

"Não temos nenhuma informação que indique que houve um lançamento de míssil ou não. Não posso dizer se houve sabotagem ou não", referiu um alto funcionário militar norte-americano em declarações aos jornalistas.

"O que posso garantir é que não foi um ataque com ATACMS, porque não fornecemos [à Ucrânia] ATACMS", acrescentou o oficial, que pediu anonimato, em referência aos mísseis balísticos táticos com alcance de 300 quilómetros, que Kiev tem instado Washington a ceder.

Compatíveis com os sistemas de artilharia de precisão Himars já disponíveis para as forças ucranianas, esses mísseis permitiriam a Kiev atingir alvos a longo alcance no território já controlado por Moscovo.

Os Estados Unidos têm procurado evitar fornecer este tipo de equipamento militar, por receio que o conflito se estenda a países da NATO.

"Nós não fornecemos nada que lhes permita ou os ajude a atacar a Crimeia", garantiu o alto oficial militar.

No entanto, a mesma fonte enfatizou que os Estados Unidos não controlam o Exército ucraniano.

"O que queremos é que os ucranianos lutem contra os russos da forma que queiram", atirou.

A Rússia anexou a Crimeia em 2014, mas essa anexação não foi reconhecida pela comunidade internacional.

Sem atribuir o ataque às forças ucranianas, o oficial sénior norte-americano enfatizou que esta ação teve um "impacto bastante significativo" na Força Aérea russa.

A inteligência militar britânica estimou esta sexta-feira que pelo menos cinco caças-bombardeiros russos Su-24 e três aeronaves multifunções SU-30 foram destruídos ou ficaram fortemente danificados, embora a pista de aterragem ainda esteja "provavelmente" utilizável.

"Saki é principalmente uma base para aeronaves da Frota Russa do Mar Negro. As capacidades aéreas navais da frota estão agora bastante reduzidas", adiantou ainda a inteligência militar britânica nas redes sociais.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 12 milhões de pessoas de suas casas - mais de seis milhões de deslocados internos e mais de seis milhões para os países vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Também segundo as Nações Unidas, cerca de 16 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa - justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de "desnazificar" e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia - foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que está a responder com o envio de armamento para a Ucrânia e a imposição à Rússia de sanções que atingem praticamente todos os setores, da banca à energia e ao desporto.

A ONU confirmou que 5401 civis morreram e 7466 ficaram feridos na guerra, que esta sexta-feira entrou no seu 170.º dia, sublinhando que os números reais serão muito superiores e só poderão conhecidos quando houver acesso a zonas cercadas ou sob intensos combates.

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