A edição de 2026 do Fórum Económico Mundial (FEM), em Davos, tem como lema “Um Espírito de Diálogo”, mas será marcada pelo regresso a este encontro da elite económica e política mundial de Donald Trump, que, neste último ano, se tem distinguido não pelo diálogo mas pela agenda “América Primeiro” - a guerra de tarifas, a intervenção militar na Venezuela, a ameaça de anexação da Gronelândia pela força e o abandono dos Estados Unidos de áreas de cooperação internacional como o combate às alterações climáticas são disso exemplo. Ironia da qual os organizadores do FEM, que terá lugar entre esta segunda-feira, 19 de fevereiro, e sexta, 23, estão cientes. “O diálogo não é um luxo em tempos de incerteza; é uma necessidade urgente”, afirmou na semana passada Børge Brende, presidente e CEO do Fórum Económico Mundial. “Numa conjuntura crítica para a cooperação internacional - marcada por profundas transformações geoeconómicas e tecnológicas - a reunião anual deste ano será uma das mais importantes. Com níveis históricos de participação, proporcionará um espaço para que uma combinação incomparável de líderes e inovadores globais trabalhem em conjunto, superando divisões, obtendo visões sobre um cenário global em rápida transformação e avançando em soluções para os maiores e mais prementes desafios de hoje e de amanhã”, acrescentou.A escalada do confronto económico entre as grandes potências representa agora a maior ameaça à estabilidade global este ano, de acordo com o Relatório de Riscos Globais de 2026 do FEM, divulgado no final da semana passada e que será discutido agora em Davos. Com a guerra na Ucrânia aparentemente ainda longe de um fim, o conflito armado entre Estados foi o segundo risco mais comum identificado, seguido dos eventos climáticos extremos.De acordo com dados do Fórum Económico Mundial, a edição deste ano vai contar com a presença de um número recorde de 400 líderes políticos de alto nível, incluindo cerca de 65 chefes de Estado e de governo - com a presença esperada de seis líderes do G7 -, quase 850 dos principais CEO e presidentes de empresas do mundo, e quase uma centena dos principais unicórnios e pioneiros da tecnologia. Entre os líderes mundiais presentes, além de Donald Trump, estarão, por exemplo, o francês Emmanuel Macron, o alemão Friedrich Merz, o finlandês Alexander Stubb, a líder do executivo comunitário Ursula von der Leyen, o moçambicano Daniel Chapo, o argentino Javier Milei, o sírio Ahmad al-Sharaa, o secretário-geral da ONU, António Guterres, e o líder da NATO, Mark Rutte, mas também o presidente israelita Isaac Herzog e o primeiro-ministro palestiniano Mohammed Mustafa. Xi Jinping, que em 2017 se tornou no primeiro presidente chinês a ir a Davos, tendo repetido na edição virtual de 2021 e em 2022, confiou este ano a chefia da delegação da China ao vice-primeiro-ministro He Lifen.Além dos discursos e participações em debates, a edição deste ano, tal como anteriores, será também marcada pelos encontros bilaterais à margem do FEM, com especial atenção para aqueles em que participará Trump, que levará consigo uma comitiva recorde, com cinco membros da Administração e outros oficiais de topo. Um dos encontros poderá ser com o presidente da Ucrânia que, além de estar confirmado em Davos, levantou recentemente a possibilidade de se voltar a reunir com Trump. O presidente dos EUA foi questionado pela Reuters na quinta-feira se tal poderá acontecer agora no FEM, tendo respondido: “Eu encontrar-me-ia, se ele estiver lá. Eu estarei lá.”Além de Volodymyr Zelensky, espera-se que o presidente dos EUA se encontre também com os líderes dos aliados de Kiev no G7 - Alemanha, Itália, França, Reino Unido, Canadá e a presidente da Comissão Europeia -, que querem o apoio da Casa Branca às garantias de segurança após um acordo de paz..Trump, Davos e o mundo real