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Donald TrumpFOTO: EPA/JIM LO SCALZO

Trump recua nos ataques ao Irão após telefonema saudita e fala em perspetiva de acordo de paz

Príncipe herdeiro saudita terá manifestado a Trump preocupação com a possibilidade de Teerão responder com ataques às infraestruturas energéticas do reino e de outros países do Golfo.
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O presidente norte-americano Donald Trump afirmou na noite de sábado (1 de agosto) ter decidido cancelar novos ataques previstos contra o Irão perante a perspetiva de um acordo para pôr fim ao conflito que dura há meses no Médio Oriente.

"Os EUA estão prontos para atacar o Irão com 'terror militar, força e poder nunca vistos desde a Segunda Guerra Mundial'", escreveu o líder norte-americano. “Apesar disso, acabamos de ser solicitados pelo Irão e por outros países do Médio Oriente para suspender qualquer ataque”, continuou, acrescentando que concordou em adiar os ataques “caso seja possível chegar a um acordo rapidamente”. 

Trump acrescentou numa publicação na Truth Social, a rede social que lhe pertence, que o acordo em vias de ser concluído "incluirá a ABERTURA IMEDIATA, COMPLETA E TOTAL DO ESTREITO DE ORMUZ e o fim da ameaça nuclear do Irão".

Segundo Trump, Israel concordou em juntar-se aos Estados Unidos no compromisso de tentar concluir o acordo com o Irão para pôr fim à guerra.

Pouco antes de anúncio do chefe de Estado norte-americano, o meio de comunicação Axios - órgão ao qual são passadas com frequência pela Casa Branca informações de fontes sob anonimato - revelou que o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman, líder de facto do reino, manifestou a Trump, num telefonema, preocupações quanto a uma potencial escalada do conflito com o Irão por parte dos EUA.

A conversa surgiu num momento em que Trump ponderava se devia ou não levar a cabo novos ataques contra o Irão, segundo a imprensa norte-americana. Os sauditas, de acordo com a fonte anónima da Casa Branca, manifestaram preocupação com a possibilidade de Teerão responder com ataques às infraestruturas energéticas do reino e de outros países do Golfo.

O telefonema foi confirmado pelo próprio príncipe herdeiro da Arábida Saudita, através de um comunicado no qual refere ter pedido ao Presidente dos EUA, Donald Trump, que priorize o diálogo para evitar que o Médio Oriente seja arrastado para um “conflito mais amplo”.

Segundo o comunicado divulgado pela agência de notícias saudita (SPA), Bin Salman sublinhou a necessidade de recorrer a soluções mais diplomáticas, que produzam resultados positivos para a preservação da segurança e da estabilidade na região.

O apelo da Arábia Saudita surge dois dias após o Irão ter ameaçado “incendiar os seus vizinhos árabes com as chamas da guerra”, caso os EUA realizem um ataque maciço contra a República Islâmica.

No início da semana passada, a Arábia Saudita juntou-se aos Estados Unidos no ataque a vários alvos utilizados por milícias apoiadas pelo Irão no Iraque, ao mesmo tempo que tem vindo a instar Washington e Teerão a regressarem à mesa de negociações para encontrar uma solução para o conflito que já dura há mais de cinco meses.

O príncipe herdeiro também enviou o seu irmão, o ministro da Defesa saudita Khalid bin Salman, a Washington no início da semana passada para reuniões separadas com Trump e com o vice-presidente, JD Vance, para discutirem a estratégia em relação ao Irão.

Os riscos da continuação da ação militar dos Estados Unidos são elevados para Trump e para o Partido Republicano, que enfrentam eleições intercalares decisivas em novembro próximo.

Trump prometeu tomar medidas de retaliação depois de as forças armadas norte-americanas terem frustrado, no início da semana passada, um ataque surpresa do Irão a uma base dos Estados Unidas na Jordânia.

O Presidente disse aos jornalistas na passada sexta-feira que os Estados Unidos "só querem vencer" no Irão e iriam atacar "com toda a força" até que a República Islâmica não consiga aguentar mais.

No sábado, o Departamento de Estado dos EUA emitiu novos alertas de segurança para os cidadãos norte-americanos em 10 países da região, instando-os a redobrar a cautela devido à escalada das tensões com o Irão.

Os alertas — que abrangem o Bahrein, Israel, Iraque, Jordânia, Kuwait, Líbano, Omã, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos — exortaram os cidadãos norte-americanos a prepararem-se para a possibilidade de cancelamentos de voos, encerramentos temporários do espaço aéreo e outras perturbações nas viagens.

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