O presidente norte-americano Donald Trump afirmou na noite de sábado (1 de agosto) ter decidido cancelar novos ataques previstos contra o Irão perante a perspetiva de um acordo para pôr fim ao conflito que dura há meses no Médio Oriente."Os EUA estão prontos para atacar o Irão com 'terror militar, força e poder nunca vistos desde a Segunda Guerra Mundial'", escreveu o líder norte-americano. “Apesar disso, acabamos de ser solicitados pelo Irão e por outros países do Médio Oriente para suspender qualquer ataque”, continuou, acrescentando que concordou em adiar os ataques “caso seja possível chegar a um acordo rapidamente”. Trump acrescentou numa publicação na Truth Social, a rede social que lhe pertence, que o acordo em vias de ser concluído "incluirá a ABERTURA IMEDIATA, COMPLETA E TOTAL DO ESTREITO DE ORMUZ e o fim da ameaça nuclear do Irão".Segundo Trump, Israel concordou em juntar-se aos Estados Unidos no compromisso de tentar concluir o acordo com o Irão para pôr fim à guerra.Pouco antes de anúncio do chefe de Estado norte-americano, o meio de comunicação Axios - órgão ao qual são passadas com frequência pela Casa Branca informações de fontes sob anonimato - revelou que o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman, líder de facto do reino, manifestou a Trump, num telefonema, preocupações quanto a uma potencial escalada do conflito com o Irão por parte dos EUA.A conversa surgiu num momento em que Trump ponderava se devia ou não levar a cabo novos ataques contra o Irão, segundo a imprensa norte-americana. Os sauditas, de acordo com a fonte anónima da Casa Branca, manifestaram preocupação com a possibilidade de Teerão responder com ataques às infraestruturas energéticas do reino e de outros países do Golfo.O telefonema foi confirmado pelo próprio príncipe herdeiro da Arábida Saudita, através de um comunicado no qual refere ter pedido ao Presidente dos EUA, Donald Trump, que priorize o diálogo para evitar que o Médio Oriente seja arrastado para um “conflito mais amplo”.Segundo o comunicado divulgado pela agência de notícias saudita (SPA), Bin Salman sublinhou a necessidade de recorrer a soluções mais diplomáticas, que produzam resultados positivos para a preservação da segurança e da estabilidade na região.O apelo da Arábia Saudita surge dois dias após o Irão ter ameaçado “incendiar os seus vizinhos árabes com as chamas da guerra”, caso os EUA realizem um ataque maciço contra a República Islâmica.No início da semana passada, a Arábia Saudita juntou-se aos Estados Unidos no ataque a vários alvos utilizados por milícias apoiadas pelo Irão no Iraque, ao mesmo tempo que tem vindo a instar Washington e Teerão a regressarem à mesa de negociações para encontrar uma solução para o conflito que já dura há mais de cinco meses.O príncipe herdeiro também enviou o seu irmão, o ministro da Defesa saudita Khalid bin Salman, a Washington no início da semana passada para reuniões separadas com Trump e com o vice-presidente, JD Vance, para discutirem a estratégia em relação ao Irão.Os riscos da continuação da ação militar dos Estados Unidos são elevados para Trump e para o Partido Republicano, que enfrentam eleições intercalares decisivas em novembro próximo.Trump prometeu tomar medidas de retaliação depois de as forças armadas norte-americanas terem frustrado, no início da semana passada, um ataque surpresa do Irão a uma base dos Estados Unidas na Jordânia.O Presidente disse aos jornalistas na passada sexta-feira que os Estados Unidos "só querem vencer" no Irão e iriam atacar "com toda a força" até que a República Islâmica não consiga aguentar mais.No sábado, o Departamento de Estado dos EUA emitiu novos alertas de segurança para os cidadãos norte-americanos em 10 países da região, instando-os a redobrar a cautela devido à escalada das tensões com o Irão.Os alertas — que abrangem o Bahrein, Israel, Iraque, Jordânia, Kuwait, Líbano, Omã, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos — exortaram os cidadãos norte-americanos a prepararem-se para a possibilidade de cancelamentos de voos, encerramentos temporários do espaço aéreo e outras perturbações nas viagens..Riade junta-se aos EUA em ataque contra aliados de Teerão no Iraque.Trump promete responder “com muita força” a ataque do Irão