A guerra entre os EUA e o Irão voltou esta quarta-feira (29 de julho) a mostrar a sua dimensão regional. Enquanto Teerão lançou o que o Comando Central dos EUA (CENTCOM) classificou como “uma tentativa de ataque surpresa” com vários mísseis contra forças norte-americanas na Jordânia, Riade juntou-se pela primeira vez a Washington numa operação militar conjunta contra milícias pró-iranianas no Iraque, numa escalada que ameaça arrastar a região para o conflito numa altura em que os mediadores procuravam reativar a via diplomática.A operação conjunta americana e saudita teve como alvo posições das Forças de Mobilização Popular (PMF), uma estrutura de segurança iraquiana que integra várias fações alinhadas com Teerão e tem vindo a ganhar influência política. Foram atingidas várias províncias, incluindo Bagdad, Bassorá e Kirkuk, causando pelo menos 20 mortos (incluindo, segundo fontes da agência AP, seis conselheiros iranianos). Os EUA e a Arábia Saudita justificaram a operação citando os mais de 30 ataques com drones dos últimos três dias contra forças norte-americanas e infraestruturas energéticas sauditas, alegadamente dirigidos pelos Guardas da Revolução iranianos. Os Houthis também reivindicaram ataques no Mar Vermelho, numa altura em que Riade procura desviar parte das suas exportações energéticas para essa rota devido ao corte do estreito de Ormuz. A ameaça nos dois principais corredores marítimos, Ormuz e Bab el-Mandeb, constitui um desafio estratégico e económico para a Arábia Saudita.“O reino não procura uma escalada, mas responderá a qualquer agressão”, afirmou o Ministério da Defesa saudita num comunicado citado pela Reuters, justificando a operação. A participação saudita no ataque é significativa, já que desde o início da guerra que Riade procurou evitar um envolvimento direto, apesar dos repetidos ataques atribuídos ao Irão e aos seus aliados contra alvos no reino. Segundo uma análise da CNN, os sauditas tentaram durante meses evitar ser arrastados para o conflito, privilegiando a estabilidade regional necessária aos planos económicos do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman (conhecido como MBS). Essa estratégia assentava também na reaproximação a Teerão iniciada em 2023, quando os dois países restabeleceram relações ao abrigo de um acordo mediado pela China, após anos de rivalidade e confrontos indiretos.A mudança de postura surge numa altura de reforço dos laços entre Washington e Riade. Há apenas uma semana, os dois países assinaram um acordo de cooperação nuclear civil destinado a apoiar o desenvolvimento do programa nuclear saudita com tecnologia norte-americana - não sendo certo que este vá avançar. .Trump tenta fechar caixa de Pandora nuclear ao condicionar acordo com a Arábia Saudita.Tudo porque o presidente dos EUA, Donald Trump, que mantém uma relação próxima com MBS, afirmou diante de várias críticas que o plano está “totalmente sujeito” à adesão saudita aos Acordos de Abraão e à normalização das relações com Israel.Os ataques provocaram uma reação imediata no Iraque. Segundo a Al Jazeera, o primeiro-ministro iraquiano, Ali al-Zaidi (que visitou Teerão na semana passada), convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança Nacional. As PMF classificaram os bombardeamentos como uma “escalada altamente perigosa”, enquanto a presidência iraquiana insistiu que o país não deve servir de “campo de batalha” para operações contra Estados vizinhos. Teerão denunciou uma violação da “soberania” e da “integridade territorial” iraquianas. Poucas horas antes dessa operação, tinha sido o próprio Irão a lançar vários mísseis balísticos contra instalações militares dos EUA na Jordânia. A Jordânia disse ter intercetado pelo menos cinco, mas Trump já prometeu que os iranianos “vão levar uma tareia”. O CENTCOM descreveu a ação como “uma tentativa de ataque surpresa”. A expressão não parece relacionar-se com o alvo escolhido, já que a Jordânia já tinha sido visada anteriormente, incluindo no ataque de 17 de julho à base de Muwaffaq Al-Salti, que matou três militares norte-americanos. Os mísseis foram, contudo, lançados após vários dias de relativa calma, depois de Trump ter anunciado uma pausa nos ataques dos EUA para permitir aos mediadores relançar as negociações entre Washington e Teerão..Irão lança ataque de surpresa com mísseis contra base dos EUA na Jordânia.Irão volta a retaliar contra infraestruturas da Amazon