Mais de um ano após o desabamento do teto da discoteca Jet Set, em Santo Domingo, que resultou numa das maiores tragédias públicas da história recente da República Dominicana, os proprietários do espaço, os irmãos António e Maribel Espaillat, vão responder perante a justiça. A decisão de levar a julgamento os empresários por homicídio involuntário foi anunciada esta segunda-feira, 15 de junho, no encerramento da fase de inquérito judicial.O colapso ocorreu durante a madrugada de 8 de abril de 2025, num momento em que o estabelecimento se encontrava lotado para um concerto da cantora Rubby Pérez. Entre as vítimas mortais, cujo saldo final contabilizou 236 pessoas, destacou-se o ex-jogador de basebol Octavio Dotel, que chegou a ser resgatado com vida dos escombros, mas não resistiu aos ferimentos no hospital.A investigação, que incluiu análises técnicas de especialistas, concluiu que a tragédia foi provocada por uma combinação de fatores evitáveis. Segundo os peritos, a estrutura do edifício sofreu um colapso devido à sobrecarga de equipamentos de ar condicionado de grande dimensão no teto, agravada pela degradação prolongada por humidade e pelas vibrações causadas pelo som elevado e pela atividade na pista de dança.Na acusação, o Ministério Público sublinha que o próprio António Espaillat admitiu, em declarações prestadas após o desastre, que o imóvel apresentava problemas crónicos de infiltração e que nunca tinha sido objeto de inspeções rigorosas pelas autoridades competentes. Além da acusação de homicídio involuntário, o processo destaca tentativas de manipulação de testemunhas e intimidação de funcionários por parte dos arguidos.O impacto da catástrofe, contudo, transcendeu o local do evento. Um estudo psicológico nacional, publicado na PMC (PubMed Central), revelou que o desastre causou uma onda de stress pós-traumático, depressão e ansiedade em toda a população dominicana, estimando-se que a prevalência de sintomas clínicos significativos tenha atingido cerca de 14% a 28% entre os consultados logo na semana seguinte ao colapso.Caso sejam condenados, os irmãos Espaillat, figuras influentes no setor do entretenimento local, enfrentam uma pena de até dois anos de prisão.