O democrata Tim Walz foi o escolhido por Kamala Harris para "vice" na corrida à Casa Branca.
O democrata Tim Walz foi o escolhido por Kamala Harris para "vice" na corrida à Casa Branca.EPA/CAROLINE BREHMAN

Tim Walz desiste da recandidatura ao Minnesota perante escândalo de fraude

Escândalo com apoios sociais criados pelo homem escolhido por Kamala Harris para seu "vice" obrigam-no a sair da corrida. Trump e republicanos celebram o que chamam de "rendição".
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O governador do Minnesota, o democrata Tim Walz, anunciou ontem, segunda-feira 5 de janeiro, que não irá tentar um terceiro mandato em 2026. A decisão surge após meses de uma pressão asfixiante devido a uma investigação a esquemas de fraude em apoios sociais criados pela sua administração que, segundo procuradores federais, podem ter custado milhares de milhões aos contribuintes.

Walz, que entrou para a ribalta por ter sido o político escolhido para "vice" de Kamala Harris na corrida à Casa Branca contra Donald Trump e JD Vance nas presidenciais de 2024, justificou a saída com a necessidade de se focar na governação e no combate ao crime "sem a distração de uma campanha".

Reações refletem a divisão do país

Do lado democrata, as reações a esta atitude foram de apoio e de tentativa de posicionamento para mitigar as consequências negativas que o caso traga para o partido. A senadora Amy Klobuchar foi das primeiras a reagir, descrevendo Walz como um "verdadeiro servidor público" que tomou uma decisão difícil para proteger as instituições do Minnesota. Fontes próximas indicam à imprensa norte-americana que Klobuchar está agora a considerar seriamente uma candidatura ao cargo.

Também o procurador-geral Keith Ellison, igualmente do partido democrata, elogiou a "decência e liderança" de Walz, sublinhando o seu legado na educação e direitos laborais.

Já do lado republicano, foi o próprio presidente Donald Trump quem rapidamente veio lançar duras críticas ao adversário.

Na sua rede social Truth Social, Trump afirmou que Walz foi "apanhado em flagrante", chamando-o mesmo de "corrupto". O atual inquilino da Casa Branca sugeriu inclusivamente que o ainda governador poderá ter de abandonar o cargo antes do fim do mandato.

A própria secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, reforçou esta linha, afirmando que a administração está a avaliar se Walz tem "responsabilidade criminal" na má gestão dos fundos federais.

Mais contido, Tom Emmer, líder republicano na Câmara dos Representantes, limitou-se a um lacónico "já vai tarde" ("Good riddance"). Já Lisa Demuth, líder republicana no Minnesota e candidata ao cargo, alertou que "trocar Walz por Klobuchar" não resolverá os problemas sistémicos de fraude que assolam o estado.

No Minnesota, as reações oscilam entre a tristeza dos apoiantes, que destacam o que dizem ser as vitórias sociais do governador, e o alívio de críticos que veem na sua saída a única forma de restaurar a confiança nas contas públicas, após o congelamento de fundos federais para cuidados infantis imposto por Washington.

Tim Walz continuará em funções até janeiro de 2027 (as eleições são a 3 de novembro deste ano), prometendo dedicar os seus últimos 12 meses a "colocar trincos novos nas portas" dos programas estatais para evitar novos desvios.

O que está em causa?

O escândalo de fraude no Minnesota centra-se na exploração criminosa de programas de assistência social, tendo começado com o desvio de 250 milhões de dólares do programa de nutrição "Feeding Our Future" e expandido para esquemas massivos em centros de dia e serviços de saúde domiciliária.

Procuradores federais estimam que o prejuízo total possa atingir os 9 mil milhões de dólares, alegando que os criminosos aproveitaram falhas críticas de supervisão e a inércia da administração de Tim Walz para financiar luxos pessoais e transferências para o estrangeiro. Embora o ainda governador conteste o valor exato, relatórios do Auditor Legislativo confirmaram má gestão, incumprimento e falta de controlo financeiro no seio do governo estadual, criando uma crise de confiança política insustentável que, perante o escrutínio da administração Trump e de investigações do Congresso, forçou agora Walz a abandonar a sua candidatura à reeleição em 2026.

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