O Conselho de Segurança das Nações Unidas transformou-se esta segunda-feira, 5 de janeiro, num palco confrontação diplomática na sequência da recente captura de Nicolás Maduro e da sua mulher, Cilia Flores, por forças norte-americanas. O enviado da Rússia na ONU, Vasily Nebenzya, abriu as hostilidades ao classificar a intervenção como um prenúncio de um regresso à era da anarquia e da dominação pela força, alertando que o "assalto" contra o líder venezuelano representa uma perigosa deriva em "direção ao neocolonialismo". Para o diplomata russo, as ações de Washington ignoram a soberania de um estado independente e demonstram a "hipocrisia das nações ocidentais que, noutros contextos, exigem o respeito pela Carta da ONU", numa alusão direta às críticas feitas à Rússia devido à invasão da Ucrânia em 2022.Em resposta, o enviado dos Estados Unidos, Mike Waltz, rejeitou categoricamente a narrativa de ocupação ou agressão militar, definindo o episódio de sábado como uma "operação policial cirúrgica" destinada a deter "dois fugitivos da justiça americana indiciados por narcoterrorismo".Waltz justificou a medida perante o Conselho de Segurança afirmando que "Maduro é o principal responsável pela desestabilização do hemisfério ocidental e pela repressão ilegítima do seu próprio povo". Segundo o representante norte-americano, o governo de Donald Trump deu todas as oportunidades à diplomacia, mas o falhanço de Caracas em responder a essas iniciativas obrigou a uma intervenção que visa, em última análise, garantir um futuro mais seguro e estável para a região e para o mundo.