Forças militares dos Estados Unidos abateram esta terça-feira, 3 de fevereiro, um drone iraniano que se aproximou “agressivamente” do porta-aviões USS Abraham Lincoln no Mar Arábico, informou o Exército norte-americano, adiantando que o Shahed-139 voava em direção ao porta-aviões “com intenções incertas”. “Um caça F-35C do porta-aviões Abraham Lincoln abateu o drone iraniano em legítima defesa e para proteger o porta-aviões e a tripulação a bordo”, explicou o capitão da Marinha Tim Hawkins, porta-voz do Comando Central das Forças Armadas (CENTCOM) dos EUA, adiantando que este navegava em águas internacionais pelo Mar Arábico a aproximadamente 800 quilómetros da costa sul do Irão. Este porta-aviões é a face mais visível da frota que Donald Trump decidiu enviar em janeiro para o Golfo Pérsico, ameaçando atacar o Irão caso não se chegue a um acordo para impedir a República Islâmica de desenvolver armas nucleares.O mesmo responsável do CENTCOM adiantou ainda que horas depois ocorreu um outro incidente, desta vez no Estreito de Ormuz, quando forças da Guarda Revolucionária do Irão assediaram um navio de bandeira dos EUA e tripulação norte-americana. “Duas lanchas da Guarda Revolucionária Islâmica e um drone iraniano Mohajer aproximaram-se do M/V Stena Imperative a alta velocidade e ameaçaram abordar e apreender o petroleiro”, revelou Hawkins. Segundo o grupo de gestão de risco marítimo Vanguard, citado pela Reuters, as embarcações iranianas ordenaram ao Stena Imperative que parasse o motor e se preparasse para ser abordado antes de poder seguir viagem. A mesma fonte adiantou ainda que o navio não entrou em águas territoriais iranianas e foi escoltado por um navio de guerra norte-americano.Estes incidentes ocorreram dias antes de possíveis negociações diretas entre Washington e Teerão na sexta-feira em Istambul, durante as quais o chefe da diplomacia do Irão, Abbas Araghchi, e o enviado especial dos EUA Steve Witkoff deverão discutir um possível acordo nuclear, avançou o Axios. Os ministros dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Qatar, Egito, Omã, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Paquistão também deverão participar na reunião, adiantou uma autoridade norte-americana ao mesmo site de notícias.No entanto, vários media internacionais adiantaram esta terça-feira que Teerão está a exigir que as conversações com os EUA sejam em Omã e não na Turquia, mas também que se limitem a negociações bilaterais apenas sobre questões nucleares.“Querem mudar o formato, querem mudar o âmbito”, disse à Reuters um diplomata regional com conhecimento das exigências do Irão. “Só querem discutir a questão nuclear com os norte-americanos, enquanto os EUA querem incluir outros temas, como os mísseis [balísticos] e as atividades dos grupos apoiados pelo Irão na região.”Em declarações à Fox News, já depois dos dois incidentes no mar, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, garantiu que as conversações entre as autoridades norte-americanas e iranianas “até ao momento, estão ainda agendadas” para esta semana. Antes do seu encontro com o Irão, Steve Witkoff esteve esta terça-feira em Israel reunido com Benjamin Netanyahu, tendo este o primeiro-ministro israelita, de acordo com o seu gabinete, reforçado a exigência de Telavive pelo desarmamento do Hamas, a desmilitarização da Faixa de Gaza e a conclusão dos seus objetivos de guerra antes da reconstrução do enclave palestiniano. O mesmo comunicado nota ainda que Netanyahu terá dito a Witkoff que “a Autoridade Palestiniana não se envolverá na administração da Faixa de Gaza de forma alguma”, contrariando o que consta do plano de paz de Donald Trump.Em relação às negociações com o Irão na sexta-feira, Netanyahu lembrou ao enviado dos EUA a sua posição de que “o Irão provou repetidamente que não se pode confiar que cumpra as suas promessas”. .Netanyahu ameaça Irão antes de Witkoff chegar a Israel para discutir negociações com Teerão.Irão ameaça com guerra regional, mas quer negociar com os EUA