A Turquia tem o segundo maior exército da NATO; a Arábia Saudita acolhe os locais mais sagrados do Islão, tem o maior PIB do mundo árabe e é uma potência petrolífera; e o Paquistão é o único país muçulmano com a bomba atómica. Os três países de maioria sunita assinaram, na sexta-feira (7 de agosto), um acordo de defesa mútuo em Meca, que alguns estão a comparar a uma mini-NATO, por estipular que um ataque armado a um será considerado um ataque contra os três. O Irão, de maioria xiita, diz não estar preocupado.Apesar dos ataques dos últimos meses contra alvos norte-americanos na Arábia Saudita, em resposta à ofensiva de Washington, o Irão não parece publicamente preocupado com o pacto que Riade assinou e que prevê o reforço da dissuasão coletiva e da cooperação militar com Ancara e Islamabad. Teerão, que diz manter boas relações com os três, considera o pacto um sinal de que os países da região estão a perder a confiança nas garantias de segurança dos EUA e a favorecer soluções regionais. “Considerando os acontecimentos dos últimos dois ou três anos, os países da região perceberam que a segurança não é uma mercadoria que possa ser comprada a corretores de segurança fraudulentos”, disse esta segunda-feira (10 de agosto) o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Esmaeil Baqaei. Mas, numa análise do Instituto de Estudos de Segurança Nacional, o diretor do programa do Irão, Raz Zimmt, lembra que há um grupo mais “pragmático” em Teerão que avisa que essa nova estrutura de segurança regional poderá, no futuro, limitar a influência iraniana.No fim de semana, Ancara, Riade e Islamabad procuraram afastar a ideia de que o acordo visa o Irão. O chefe da diplomacia do Paquistão, Ishaq Dar, disse que o pacto é de natureza “puramente defensiva”, não é dirigido contra um Estado e permanece aberto à adesão de outros países da região. Já o homólogo turco, Hakan Fidan, foi direto quando afirmou que o acordo “não é dirigido ao Irão nem a qualquer outro país”. Do lado saudita, o vice-ministro para a Diplomacia Pública, Rayed Krimly, rejeitou que se trate de um “eixo militar” ou de um “bloco sectário”, acrescentando que o entendimento não está ligado a uma “corrida armamentista “nem substitui as alianças já existentes. Da parte dos analistas iranianos, há incerteza sobre até que ponto Turquia e Paquistão estariam dispostos a envolver-se militarmente para defender os sauditas.Por isso, a comparação com uma mini-NATO é contestada, apesar de o acordo incluir uma cláusula semelhante ao artigo 5.º. Ao contrário da Aliança Atlântica, o pacto não dispõe, pelo menos para já, de uma estrutura militar integrada, de um comando unificado, de mecanismos de decisão consolidados, de planeamento operacional conjunto nem de compromissos claramente definidos sobre a responder a um eventual ataque.