Mural com Trump em Teerão.
Mural com Trump em Teerão.FOTO:EPA/ABEDIN TAHERKENAREH

Teerão compara acusações dos EUA sobre aumento de preços a Hitler

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano diz que administração Trump tem "memória curta" "a ponto de esquecer quem iniciou a guerra de agressão".
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O Irão devolveu esta terça-feira, 22 de setembro, as acusações norte-americanas de responsabilidade pelo aumento dos preços dos combustíveis e comparou-as ao líder nazi alemão, Adolf Hitler, quando justificou a invasão da Polónia como uma ação defensiva.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmaeil Baghaei, disse em Teerão que os elementos da administração do presidente Donald Trump “acusam o Irão do aumento dos preços do combustível”.

Fazem-no “como se a sua memória fosse tão curta a ponto de esquecer quem iniciou a guerra de agressão e de quem foram as ações que criaram a crise que levou ao encerramento do estreito de Ormuz e ao impacto na navegação comercial”, afirmou.

Baghaei aludia à ofensiva que os Estados Unidos e Israel lançaram conjuntamente contra o Irão em 28 de fevereiro, quando decorriam negociações sobre o programa nuclear iraniano entre Teerão e Washington.

O Irão respondeu com ataques contra interesses norte-americanos no golfo Pérsico e com o bloqueio do estreito de Ormuz, por onde circulava um quinto dos produtos petrolíferos dos mercados internacionais, com reflexos nos preços a nível global.

A situação afeta os consumidores norte-americanos, que em novembro vão às urnas nas eleições intercalares de meio do mandato presidencial de Trump (2025-2029).

“Este truque [das acusações] não é novo, no entanto. Em 1939, Hitler apresentou de forma semelhante a invasão da Polónia como uma ação defensiva”, escreveu o porta-voz da diplomacia iraniana nas redes sociais.

A invasão da Polónia pela Alemanha nazi, em 01 se setembro de 1939, com parte da política de expansionismo de Hitler, é considerada como uma das causas diretas da Segunda Guerra Mundial, que durou até 1945.

“Quando o instigador de uma ‘guerra de escolha’ ilegal acusa a vítima das consequências, isto deve ser visto como ‘brilhantismo estratégico’ ou simplesmente como um exemplo claro de ‘A Marcha da Insensatez’”?, acrescentou Baghaei, citado pela agência espanhola EP.

“A Marcha da Insensatez: de Troia ao Vietname” é um livro da norte-americana Barbara W. Tuchman, de 1984, no qual aborda “paradoxos da História” em que governos e autoridades levaram a cabo ações ou políticas contrárias aos seus interesses.

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